Textos

O delito da mulher casual.

Ela era casada, sorria para mim como se eu fosse o pecado original. Mulher, doce mulher. Casou-se com um sujeito estranho. Casou-se com alguém que nunca soubera emergir a doçura que está entranhada em sua carne morena, nos seus fartos seios e na sua miraculosa boceta peluda. Todas as sextas-feiras eu assistir ela terminar de se arrumar, pegar a pequena bolsinha bege e sair por aquela porta. Todas as sextas-feiras sua desculpa para o mundo era um encontro com amigas inexistentes. Eu ainda terminava de vê-la atravessar a avenida e esperar os eternos vinte minutos para a condução. Lá estava, braços cruzados, vestida de dona de casa, vestida de mulher de 30 anos, vestida como mãe de um filho pequeno, vestida como mulher antiga que transformada pela sociedade na “dona de casa” era impedida pelo marido de trabalhar, de viver e ter prazer.

Quando ela chegava, conversávamos como dois bons amigos. Um gesto maquinal dela de ir se despindo enquanto colocávamos o assunto em dia. Para um terceiro que testemunhasse tal ato, diriam que ela seria uma profissional, porém aquilo eram apenas os anos de casamento massante. Conversávamos e riamos, e logo estávamos despidos. Talvez como uma maneira de defender parte de sua honra matrimonial, ela sempre deixava sua aliança brilhante de ouro sobre a cômoda de meu quarto. Logo ela começa a beijar-me e pedir as coisas safadas que seu marido não faz ou não quer fazer. Ela chega no meu ouvido e pede “me faz aquele oralzinho delicioso com aquele dedinho lá” e eu, sorrindo internamente, atendo as seus pedidos. O único impedimento entre nós são as marcas. Decerto, ela gosta quando lhe espalmo a bunda, porém, as marcas vermelhas tem ficado dia após dia mais inexplicáveis.

Só notei que ela havia esquecido a pequena aliança, muito tempo depois que partiu. Tive sorte duas vezes: a primeira foi motivada pelo fato que logo após de ter saído de meu apartamento, atravessado a avenida e me instalado no ponto de ônibus, a condução logo veio. Eu sempre me vesti em tempo recorde, mania de quem acordava às quatro da manhã para ir ao trabalho. Brincando com a pequena joia, noto como o tempo fora severo. A parte posterior toda suja e desgastada pelos pratos lavados e pelos cuidados com os filhos. Internamente estava brilhosa e polida, talvez por retirá-la do dedo todas as sextas-feiras aos nossos encontros.

Apartamento no quinto andar de uma zona suburbaníssima. O prédio não tinha porteiro, então meu acesso fora deveras facilitado. Realmente a ocasião deve fazer o bandido, porém muitos ladrões estão perdendo até hoje esta ocasião, uma vez nunca ter escutado relatos de furtos neste prédio. Meu segundo golpe de sorte foi bater à porta dela e não dar de cara com seu cônjuge. Esta possibilidade eu realmente só parei para pensar quando estava na minha íntima cozinha, dias depois, deliciando-me de um bom e profundo copo de Gin.

“O que faz aqui!?” ela diz entre a expressão de susto, medo, raiva entre outras.

“Aqui, esqueceu.” eu estendo a mão e solto a pequena aliança em sua mão estendida. Ela, talvez, nem tenha se dado conta do esquecimento da pequena joia. Ela fica de me agradecer, buscando alguma palavra enquanto sua boca pendia aberta.

“Cuidado, ele chega já já.” eu a beijo e me despeço. Ela fecha a porta e eu desço a escadaria daquele prédio de seis andares sem um elevador. Dou-me de cara com um gordo homem. Careca daqueles estilos cabelo só na nuca e nos lados, vestindo uma pesada roupa marrom e uma pasta. Dou-lhe boa tarde reconhecendo o corno a primeira vista. Ele apenas me observa sair e provável ter murmurado algo como este prédio ter um porteiro.

Dou uma última olhada para o seu apartamento a vejo me espionando cruzando a avenida para pegar a condução.

Anúncios

Tenho uma lista de filmes para assistir e um tanto quanto de livros para ler. O tempo é tão escasso nestes anos tão estranhos. Escrevo buscando entender este mundo, tal qual um escritor de um manual de instruções. Pretendo um dia ter uma casa com uma janela para um cemitério. Uma boa maneira de pensar na vida e no futuro indubitável de cada um. Agora buscando uma resposta para o futuro em antigas mitologias perdidas. Também querendo ganhar um dinheiro extra, sou um ser humano como todos os outros, e ter uma independência mesmo que pequena, comprar quadrinhos entre tantas outras coisas. Espero que gostem dos meus textos loucos e das minhas estranhas visões do mundo. Blog pessoal: http://omiopepsicopata.blogspot.com.br/ Twitter - @rhuanroussseau

1 comentário em “O delito da mulher casual.

  1. Pingback: O delito da mulher casual. – Só palavras

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: