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Dr. House – primeira temporada –

Eu assisti o primeiro episódio de Dr. House em uma madrugada qualquer, lembro-me que o seriado já tinha um certo destacamento perante a tantos outros, não pela sua temática, pois series médicas, da mesma forma que as séries sobre peritos criminais, tinham-se tornado uma mania. Para um desavisado que pegasse o show televisivo como um entretenimento normal, talvez não pudesse, de primazia, detectar todas as camadas que aquela cebola continha. O primeiro episódio, nominado de Everbody’s Lies, ou, em bom português, “todo mundo mente” pode dar um primeiro acorde, dissonante, do que teremos a seguir. Um médico sarcástico, frio, duro, impiedoso, egocêntrico, que foge de todos os parâmetros da ética, que busca, em seus pacientes, não o bem estar do mesmo, e sim a resolução do quebra-cabeça que a falta de saúde destes infelizes proporciona. House, em seu método, não busca o que todos os outros médicos buscam, o tratamento em si e a felicidade do enfermo. House busca ir além, busca adentrar no máximo possível para resolver o enigma, nem que para isso ele precise passar por todas as barreiras impostas.

Dr. House fora baseado em dois personagens, um real e outro fictício, e o personagem fictício também fora baseado no mesmo personagem real que Dr. House foi baseado, Confuso não? Primeiramente a inspiração de Dr. House foi Dr. Joseph Bell (sim, ele era primo de Grahan Bell) médico inglês que através do método dedutivo conseguia diagnosticar seus pacientes. Suas aulas eram praticamente shows de dedução e lógica, onde com algumas poucas informações, ele conseguia descrever todos os hábitos que o enfermo possuía e assim chegar ao diagnóstico. Dr. Joseph Bell possua um aluno que se tornara muito famoso no futuro, não pelo oficio da medicina, e sim porque se tornou o renomado escritor chamado Arthur Conan Doyle, o criador do personagem Sherlock Holmes. House também fora baseado em Holmes, como pode-se notar pela semelhança do sobrenome – House – Casa, e Holmes também pode ser traduzido como casa, ou lar. E o segundo traço é a genialidade na dedução e percepção. Então assim, forma-se o Dr. Gregory House, especialista em nefrologia e infectologia, chefe do setor de Diagnóstico do hospital Princenton-Plainsboro, do qual casos que nenhum médico conseguiu diagnosticar chega até as mãos de House para que ele venha a elucidar.

Muito se disse que grande parte dos episódios segue uma receita de bolo, onde o paciente melhora, piora, melhora, piora e por fim com uma epifania, Dr. House elucida o caso. Porém, o verdadeiro foco da série são os conflitos humanos. Primeiramente de Dr. House, médico e deficiente, viciado no analgésico Vicodin (que possivelmente fez as vendas do Tic-Tac irem para as alturas depois do inicio do seriado), que nunca visita seus pacientes, e busca, da maneira mais ortodoxa possível elucidar os casos. Busca da sua equipe sobrevivendo as abusos e assédios morais de seu chefe, no auxilio da elucidação. E de James Wilson, o melhor amigo de House, uma alusão ao Dr Watson, melhor amigo de Holmes, que busca manter o incomum médico no caminho da moralidade (e falha miseravelmente) e na outra ponta Lisa Cuddy, diretora do Hospital, bucando um contraponto ainda maior com a força destrutiva da natureza que Gregory House se torna naquele ambiente.

A primeira temporada tenta nos aprofundar naquele grupo de médicos, buscando entender o motivo de cada um. House também nos ensina muita coisa, aprendemos que as pessoas mentem por diversos motivos, e tais mentiras são uma espécie de lubrificante social, um meio da sociedade conseguir coexistir. House, tenta seguir no caminho contraposto, demonstrar a verdade nua e crua de um mundo real da pior maneira possível, se for necessário revelar um caso de adultério para solucionar um enigma, ele o fará, sem pensar nas consequências (que virão, como demonstrado no final da segunda temporada). Os médicos auxiliares de House, Cameron, Foreman e Chase demonstram cada um uma personalidade indistinta, como uma forma de manter o próprio House na linha. Tudo que ele faz é ponderado e pensado, como um conhecedor de sua própria personalidade, ele sabe até quão profundo pode chegar.

É notória sua dificuldade em seguir regras e chefias, um ponto conflitante muito bom da primeira temporada é a chegada Edward Volger, um empresário que ao fazer um investimento milionário ao hospital, acaba com uma cadeira na direção e se transforma em um ponto de conflito muito forte com a personalidade cítrica de House. Os embates são justificados e personificados, de fato, o problema do paciente, a doença e a chegada até o diagnóstico é mero motivador para a verdadeira história, eu chego até a comparar com The Walking Dead, onde o foco da história não são os zumbis, e sim o conflito entre as pessoas. House segue nesta linha, o conflito com Vogler, ou quando Foreman é posto como chefe de House durante um mês, para tentar controla-lo. Tais situações explosivas que sabemos as inúmeras possibilidades de problemática porque todos os personagens conseguem ser muito bem desenvolvidos ainda nos primeiros episódios.

Fecho com o destaque do episódio Three Stories, onde Dr. House precisa dar uma aula para uma turma de graduandos, ele utiliza três histórias que tiveram problema em suas pernas para permear a linha condutora da aula. Porém, uma das histórias contada era a dele mesmo, dai descobrimos a origem de sua deficiência e conhecemos sua ex-esposa.

House tem sido uma redescoberta para mim, assisti ainda na minha adolescência e este personagem moldou muito de quem sou hoje. Tenho um enorme carinho por esta figura ficcional, chegando a não assistir ao último episódio, pois não gostaria que o personagem morresse. Como somos movidos a assistir tais coisas apenas quando a Netflix ameaça a retirada do catálogo, então estou dedicando algum tempo de desemprego para retomar a série e descobrir tantas coisas fantásticas que minha mentalidade pueril não pode absorver e hoje consegue compreender ainda mais. Uma pena que a abertura do seriado na Netflix não seja a música Teardrop do Massive Atack, recomendo buscar no Youtube a abertura original do seriado. Por fim, aproveitem para sofrer ataques hipocondríacos, mas na tranquilidade de nunca ser Lupus

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Tenho uma lista de filmes para assistir e um tanto quanto de livros para ler. O tempo é tão escasso nestes anos tão estranhos. Escrevo buscando entender este mundo, tal qual um escritor de um manual de instruções. Pretendo um dia ter uma casa com uma janela para um cemitério. Uma boa maneira de pensar na vida e no futuro indubitável de cada um. Agora buscando uma resposta para o futuro em antigas mitologias perdidas. Também querendo ganhar um dinheiro extra, sou um ser humano como todos os outros, e ter uma independência mesmo que pequena, comprar quadrinhos entre tantas outras coisas. Espero que gostem dos meus textos loucos e das minhas estranhas visões do mundo. Blog pessoal: http://omiopepsicopata.blogspot.com.br/ Twitter - @rhuanroussseau

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