Textos

Vagabundo.

As mais belas mulheres transitando no alto dos seus saltos de um lado para o outro. Ainda nascia uma madrugada nos confins do tempo, e lá estou eu, sentado no banco de pedra, com meia garrafa de pinga e mãos trêmulas. Lá estou eu procurando bitucas de cigarro no chão, cigarros fumados, cigarros usados, restos. A noite será longa, será quente, será viva. Terei a chance de observar tudo isto do meu ponto, ver as pessoas indo, as pessoas voltando, as mulheres que um dia se deitaram comigo e agora me ignoram. Preso nesta base do mundo, estou dando voltas, estou sem ter para onde ir. O relógio, grande e luminoso, me diz que falta pouquinho para a meia-noite, porém aqui ninguém dorme, nunca dormem. Alguns caras passam dando risada, entram em um carro e disparam em alta velocidade, outras meninas estão sentadas em um semi-circulo, fumando sua maconha, bebendo suas cervejas artesanais. Os policiais batem apenas nos que bebem cachaça, igual a mim, e naqueles que dormem nos bancos.

Minhas mãos trêmulas, tento respirar fundo, minha mente repete “preciso de cigarro, preciso de cigarro” minha ansiedade vêm como um demônio. Antigamente eu despertava em minha cama no fundo dos meus pesadelos, hoje, apenas o chão de pedra me acalanta, meu único despertar tranquilo, quando o sol, já alto, acorda sem querer acordar. Muitos bebem para que a dor não volte, outros bebem para sentir dor, eu estou aqui apenas querendo respirar, que estes tremores parem, que tudo venha desmoronar.
Deito na areia da praia e olho para a escuridão do mar. Não tenho nada para que os amigos do alheio venham receptar, então meu único melhor amigo alcoólico me aquece por dentro e por fora. A escuridão marítima, hostil para quem a enfrenta é semelhante a escuridão interior, tão hostil quanto. As mulheres que andam nas calçadas agora estão cobrando seus valores. Não vejo seus risos, não vejo suas lágrimas, apenas um valor, um preço, tais coisas que atualmente não possuo.

A maior alegria é encontrar uma carteira de cigarros com um solitário dentro. Guardei-o para dormir com sua luminosidade. Iria dormir na rua, mais uma vez. Iria dormir com o céu estrelado na cabeça, e as mulheres mais caras do mundos aos meus pés. Iria dormir no ápice do fracasso, na curva do esquecimento, no rastro do indubitável. Com a barriga cheia de vazio, com as mãos trêmulas e a garrafa com dois dedos para o fim. Na minha mente apenas as músicas que eu ouvia quando criança, memórias de um passado despreocupado. Pergunto-me por onde andam todos aqueles que se deram bem? Tais perguntas sem respostas que não me deixarão ter um justo sono.

Acendo o cigarro, brilha como um vaga-lume no escuro cair da meia noite. A cidade não dorme, a rua é isto. Engulo o resto daquela garrafa e espero que dias melhores cheguem.

 

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Tenho uma lista de filmes para assistir e um tanto quanto de livros para ler. O tempo é tão escasso nestes anos tão estranhos. Escrevo buscando entender este mundo, tal qual um escritor de um manual de instruções. Pretendo um dia ter uma casa com uma janela para um cemitério. Uma boa maneira de pensar na vida e no futuro indubitável de cada um. Agora buscando uma resposta para o futuro em antigas mitologias perdidas. Também querendo ganhar um dinheiro extra, sou um ser humano como todos os outros, e ter uma independência mesmo que pequena, comprar quadrinhos entre tantas outras coisas. Espero que gostem dos meus textos loucos e das minhas estranhas visões do mundo. Blog pessoal: http://omiopepsicopata.blogspot.com.br/ Twitter - @rhuanroussseau

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