Meu deserto pessoal se depara com o incomum.
Não haveria nada de diferente naquele sorriso binário
Estes dias futuros que eu hei de inventar do zero para o um
No meio das perdidas areias brota um ageográfico rio
No meio da multidão surge a borboleta assassina
Verme alado que seu nome assina
Com letra banal feminina

Quero estar só, mas a multidão não deixa.
Neste deserto de incontáveis cabeças
Nesta prisão que diminui, que impede que me mexa
Com suas apoteóticas e ínfimas certezas
Do meu quarto, minúsculo quarto
Vejo o minúsculo universo do fato
Que minúsculamente eu debato
Que adentra meu deserto como daninho mato.

Perco-me no oásis de solidão.
Milhões passando em volta de mim
O deserto anda frenético com suas dunas
Ainda tentando morrer na razão
O ridículo toma conta de mim
Cuspindo minhas verdades mais duras
Agora sozinho com nenhum rosto julgador
Sozinho como meu próprio estuprador
Enegrecendo, perdendo a cor.

O deserto é cruel, ele engole e não nota.
O deserto esconde a menina, esconde os assassinos
O deserto faz a sinfonia de uma unica nota
O deserto não foi feito para meninos.

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