Esmague a cabeça de um gato.

Garrafas espalhadas, cacos furando os pés.

Homens das cavernas lutando por lugar ao sol. Não, eles não tinham redes sociais, eles usavam o trema na linguiça, eles cantavam músicas sobre morte, foder e gatos mortos.

Esmague.

Mulheres nas esquinas, três ou quatro da manhã.

Travestís semi-nus andando nas calçadas, eles estão querendo ganhar a vida, eles querem sorrir também. Homens casados param os carros, eles entram. Homens casados gostam de levar a rolada de um travesti, querem se sentir como suas esposas, humilhadas, gozadas, sacaneadas. O homem moderno adora uma rola no cu, faz parte do show, é o lado selvagem da vida. Travestis são os novos santos, cruxificados pelos seus atos de bondade. A família tradicional, a grande piada das redes socias.

Travestis.

Não esqueça, esmague a cabeça do gato.

Alcoólatras heróis da pátria. Presos. Alcoólatras que fazem leis, depois são presos pelas leis. Alcoólatras músicos. Literatura erótica para crianças. Anos oitenta. Agora, quarenta anos depois, ninguém continua sendo jovem.

Ninguém quer morrer jovem.

Ninguém quer envelhecer.

Gatos.

Travestis.

Alcoólatras.

Velhos.

São quatro horas da manhã. Posso ouvir a briga do casal do apartamento de cima.

Eu ouvi “travesti” duas vezes.

 

 

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