Eu morrerei às duas da manhã
de uma quarta-feira.
Do dia indeterminado.
Do ano desconhecido.
mas eu morrerei, sem deixar
saudades.
Morrerei apenas com o
ódio
que alimentou estes sentimentos
vazios durante anos.
Incertamente descorrerei
sobre coisas da vida.
Sobre coisas que não domino.
Não verei amigos, pois não os tenho.
Não verei inimigos, pois não vivem.
Não verei amores, pois partiram.
Não verei filhos, pois eles cresceram.
E às duas da manhã
quando os canais não saírem mais do ar
com suas eternas programações.
Meu coração cessará.
E não poderei ver o final do seriado
que tanto gosto.
Serei apenas uma casca vazia.
Um cérebro morto.
Memórias sem um portador.
Um vazo vazio de sonhos não
realizados.
Livros não escritos.
Amores não vividos.
Arrependimentos.
Morto com o controle remoto na mão.
Sufocado com as próprias unhas roídas.
Morto e esquecido pelas gerações futuras.
Morto e enterrado pelo oblívio do hoje.

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