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(In)ternidade – 15 – O sorriso de Mônica.

Homens quando choram, parecem frágeis, mulheres quando choram, parecem crianças. Não importa qual a idade, ambos demonstram a fraqueza de seus espíritos ao debulhar-se em lágrimas. Quando chorei, após a morte de Poliana, me senti fraco, tanto para encarar o mundo; tanto para encarar os que me encaravam, quanto para encarar o que viria. Agora, vejo Tália, desacordada em sua cama, vejo Calíope chorando nos braços de Mônica, Mônica, buscando entendimento do que acontecera, de fato, eu sou o motivo de destruição daquela entidade familiar, uma filha perdida para o mundo e a outra confiando o mundo em mim. Tália teria que ficar no quarto, para desintoxicar, um processo que demoraria muito tempo. Calíope não conseguia olhar para mim, sua garganta ardia e sua raiva transparecia, aquela mulher com gestos meigos e afáveis se transformara num monstro de ódio e rancor. Mônica, muito sábia, preferiu deixar o recinto e que o fato grego se resolvesse num parlamento romano. Calíope nada disse, porém iniciei minha defesa com a tese de nunca termos assumido um relacionamento antes.

Porém ela disse: “minha mãe chamou você de namorado dela”.

Mônica cravou uma adaga no meu peito, sem saber, destruindo minha linha argumentativa prática. Ela queria dar um norte para aquela filha sem bússola; de certo. Ela chamaria Adolf Hitler de “namorado” para aquela filha louca. Mas, Calíope não conseguiria ponderar ou analisar tal argumentação, tomada pela raiva, puta da vida, dificilmente o que eu falar será levado a sério. Ela começaria seu discurso narrativo de ódio, milhares e milhares de coisas despejadas, que levaria ao ponto final de nosso relacionamento. Ela jogaria milhares de palavras perdidas, que poderiam ou não machucar. Mas, por que? Não saberia em mil anos que Calíope e Tália eram irmãs, filhas da mesma mãe, com pai desconhecido. Por mais que todas as evidências fossem para este lado, só consegue ver o todo quando se temos uma ideia do meio, claro que, se eu tivesse tirado meu pau de tantas bocetas comidas, ao longo do tempo, e tivesse pensado com a cabeça da lucidez; ou então, com um pouco de lógica, provável que aquela situação de agora não estaria acontecendo, mas, quem poderá voltar no tempo para corrigir os erros tolos que levaram nas grandes tragédias? Eu não teria deixado minha mãe me conceber, causando um suicídio pré-vida, e ainda sim, talvez me arrependesse disto, e tentasse corrigir novamente, e novamente.

Tudo que fazemos sempre será errado.

E agora, estourando como lava de um vulcão, Calíope está, sentada em uma pífia cadeirinha de metal, escorada na mesa, tentando não olhar para meu rosto. Suas coxas estavam mais fortes, suas pernas mais grossas. Estava usando o uniforme do trabalho, mas, parecia um pouco mais gordinha, ansiedade das provas da faculdade? Ela tinha me dito algo parecido. Tinha dois meses desde aquele ritual maluco, quando conheci Eva, e na mesma época Tália quase me matou. Talvez esta loucura toda fosse parte da nossa história,  talvez ela quisesse isso: Brigas, loucuras amor; um pouco de morte, um pouco de felicidade, e diversos problemas. Não sei, Calíope já sabia que eu não prestava, Tália já sabia que eu não prestava, tudo rodopia para um fim mortal, incongruente, uma chance boba de divergir. Eu não aprendi nada com ninguém, este meu crescimento pouco, quase que enfermo. Meus desejos, minhas ânsias de trepar, trepar, trepar. Foder, Foder, Foder. Quase como um retorno ao animal selvagem, a um período de grande orgulho da humanidade, quando desconhecíamos o significado de vergonha. As coxas de Calíope, firme e fortes me chamavam. Estávamos em um hiato de tempo. Aqueles segundos que duram horas. Silentes na cozinha, com Mônica cuidando de Tália no quarto e alguns carros passando na rua lá bem longe. Estou louco por um cigarro, uma vontade louca de matar um vício com um alívio. Gostaria de pensar no que Calíope pensa, no que o mundo pensa, mas este universo, único, somente nosso, inacessível, são portas trancadas de mão dupla, de uma forma genérica: impossível dizer qualquer coisa, qualquer coisa seria impossível dizer, mas penso em todas as vezes que eu trepei com Calíope, desde a nossa primeira até a nossa última. Quando entrei naquela boceta apertada, quando apertei aqueles seios pequenos e pontudos, como duas ereções. Quando embarquei nesta alma, neste espírito, jorrando meu gozo, minha lasciva, minha vontade. Não conseguiria viver longe desta mulher? Mas me explodiu na mente Tália de quatro, comigo agarrado a sua cintura, metendo, metendo, metendo, metendo, quase maltratando, quase esculpindo a estocadas uma fome insensata na mente de uma maníaca. Ela me gritava “no cu” e eu aceitava o pedido, e começava a cavucar-lhe o outro buraco como os antigos mineradores atrás de tesouros. Tália é um sexo anal, Calíope, um sexo vaginal, mas, ambos, darão no esporro.

Puxo o ar, preparo as palavras. Era hora de findar aquele silêncio, era a hora de dar o primeiro passo argumentativo (ou mais um passo). Calíope começa a chorar antes que eu falasse. Ela me diz que me amou, que me amou perdidamente, que nunca pensara em outro homem para que a acompanhasse nos percausos da vida. Talvez por sua pouca experiência, ela disse, ela acreditara de fato num amor impossível, e que eu era este amor impossível que faria ela bem, um homem bem mais velho, escritor, poeta, sensível, alcoólatra, com uma história pregressa de amor e morte, tudo o que uma menina sonhadora sempre quis. A comédia romântica é o conto de fadas da nova geração, ela, no fundo, queria viver este par romântico do Adam Sandler, e queria que desse certo. Dizia para os amigos quem eu era, falava, contava vantagem, até vazia publicidade das trepadas. Decerto, não tínhamos algo firmado, mas, não imaginou que precisaria de um contrato para dar a certeza de algo tão bem encaminhado. Calíope menciona as flores que eu havia dado, menciona como um início, uma certeza, um caminho. Aquilo que ela escreveu no meu espelho, lá no começo de tudo, era o reflexo do que ela queria sentir consigo mesma. Seu pai a abandonou, os homens sempre foram decepção e não fui um exceção a esta regra maldita, fui apenas mais um golpe seco naquilo que ela acreditava ser amor, naquilo que ela acreditava existir, dei apenas uma certeza que nenhum de nós presta. Bem, e nunca disse que prestava, também nunca dei certeza de nada, meu maior crime fora ficar silente, deixar as coisas correrem e pensar que vão se acertar. Deveria ter apagado aquele “eu te amo” do espelho do meu banheiro, deveria ter retirado a garrafa de Coca-Cola, mas agora seria tarde demais, o espelho estaria manchado para sempre a garrafa perdeu-se eternamente escondido em algum canto medonho do meu banheiro. Não teria uma volta, não teria mais um sentido, apenas uma grande mudança drástica, uma grande vontade cáustica para resolver todos estes pormenores, e não me viria nada na cabeça, nada criativo, nada certo, apenas um punhado das mesmas ideias errôneas que sempre me acompanharam. Agora ver Calíope, falando sobre nós, dizendo como éramos um casal perfeito me distância dela, me distância de todos. Lembro de como seria perfeito Euterpe, Teresa, Vânia, dentre tantas outras, até a coitada da Mel, mas não existe perfeição num relacionamento de seres tão incongruentes, tão incompletos, imperfeitos. Não existe perfeição num mundo de linhas tortas, e era o que éramos, tortos, linhas tortas, tanto eu, Tália, Calíope e, até Poliana, no auto  de sua castidade e serenidade, ainda sim, se aproveitando de outrem para que sua memória não seja eliminada, não importando o quão dolorido seria marcar esta memória. Calíope se silencia, aguarda uma resposta. Mas o que eu deveria responder? Pedir desculpas pelo que eu tinha feito, mas o que eu tinha feito? Realmente, me relacionei com sua irmã, porém eu nunca soube que eram irmãs, e mesmo assim, não tínhamos nada oficial, não éramos nada além de amigos que aproveitavam o corpo um do outro e, mesmo assim, por mais que ela quisesse expressar o que ela sentia, eu poderia simplesmente dizer que não havia entendido o sentimento, assim, eu seria o vencedor da disputa argumentativa, e ela ficaria com raiva, nunca mais nos falaríamos e a vida tomaria seu rumo, eu com meus relacionamentos, ela na faculdade e trabalho e família, vida. Cada qual no seu qual e nenhum no seu ninguém. Eu poderia também, simplesmente levantar-me e sair, as consequências seriam as mesmas, literalmente, mas, Calíope teria um ar de vitória, falaria mal de mim para as amigas e me desprezaria, ma ignoraria como uma capitã vencendo um exército inimigo, um ameça formal. Eu também não queria que Calíope vencesse, não queria que minha culpa fosse decretada, mesmo neste caso, eu não sendo o principal culpado.

Respondo da melhor forma possível, conto alguns fatos verdadeiros e maquio algumas verdades do jeito que eu gostaria que fosse, faço malabarismo verbal com Calíope e noto uma melhora na sua expressão de raiva para simplesmente choro. Ela começa a soluçar, se debruça na mesinha da cozinha. Ela está realmente mais gordinha, seu vestido fica um pouco justo, no movimento ele acaba subindo um pouco, indo até o meio das coxas. As pernas de Calíope, agora um pouco roliças, ainda muito brancas, já apresentam alguns vasos sanguíneos arroxados, da difícil profissão de aturar a vontade alheia de pé, seus calcanhares acinzentados, pelo uso da sapatilha, e sua bunda, redonda, fofa, forte, um pouco magra, mas nos conformes do seu biotipo. Ela chora enquanto eu a olho, o vestido cinza, caído, dá um ar de dona de casa, não é feio, não é bonito, é apenas um vestido, do qual trocara na empresa, para não precisar sair de uniforme. Ela fica bem nele, ela fica bem chorando, mas não fica bem triste. Existem diversas formas de chorar, e nem sempre é por tristeza. Queria dizer algo legal, algo belo, mas minha mente se esvazia, penso apenas em seu reflexo no espelho, ela sacando aquele batom e escrevendo “eu te amo” será que fora de toda a sinceridade? Será que eu apenas não fui um apeio da falta dum pai, da falta do elo paternal nesta família estranha? Ela nunca dissera nada meu para Mônica, senão haveria comentários de Tália sobre o namorado da irmã, bem, Calíope era reservada para com todos, talvez fosse parte da sua “reserva” nada dizer, mas, queria algo certo, algo seguro, com medo do abandono hereditário. Nada me vinha, porém eu estava hipnotizado. Calíope debruçada na mesa, com aquele rabo, aquelas coxas, aquela força toda que surgira. A casa estava silenciosa, Mônica cuidava de Tália, e na rua apenas os tristes carros iam e voltavam. A cozinha, pequena e fria, continha tudo da mais estrita necessidade, como também não continha nenhuma forma abrasível de amor genuíno. Bem, decido levantar-me; todo este pensamento durou alguns segundos. Agarro Calíope por trás, com alguma força, como um leopardo agarrando sua presa. Ela se assusta, não esperava, ou esperava, não sei. Calíope quis sair, mas coloquei mais força, segurei seu braço e levantei seu vestido, ela tentava se debater, mas não conseguia. Meu pau estava muito duro, eu vi sua calcinha rosa, sem graça, sem jeito. A desço também e la estava Calíope, de quatro para mim, talvez de maneira involuntária, um flash de consciência me diz “você está estuprando ela.” mas, como se não estivesse no meu corpo eu apenas começo a beijá-la no pescoço. Calíope nada diz, ainda buscando alguma resistência, buscando mexer-se. Penetro-a e começo a foder, ali na mesa da cozinha, ali naquele estado, naquele país, naquele planeta, naquela galáxia, naquele universo. As coxas fortes de Calíope, a bunda forte de Calíope, os cabelos, costas, tudo. Havia um tremor nos seus tornozelos, havia um calor e um ardor em sua boceta. Eu sentia toda a resistência em seus músculos se desmancharem, sentia suas pernas abrindo e o molhado da boceta vindo como um gêiser de intensidade. As estocadas aumentavam, eu a segurava pelos cabelos como os velhos homens das cavernas, nossos antepassados poucos amáveis, eu fodia e conseguia ver o que fazia, como se estivesse numa outra sala, vendo toda esta cena,  no fundo uma vergonha emergiu, uma vontade de morrer uma tristeza. Eu ali, dominado por uma fome inumana, quase como um zumbi atacando pelo simples gesto de comer, minha trepada com Calíope se tornara um crime, uma idiotice, um ruido que formou um barulho insuportável, aquela transa, aquela boceta aquele momento me enojava mas também me debulhava, daí, eu via meu eu animal atacando e comendo, e fodendo, e comendo. Calíope deitada na mesa da cozinha, de bruços, e eu trabalhando na sua traseira, sentindo minha barriga saliente e púbis encostar na sua bunda, enquanto meu pau adentrava o canal vaginal, deslizando, causando dor nela, prazer em mim.

Como um estalo eu vejo tudo que eu estava fazendo, uma vergonha e uma vontade de morrer toma meu corpo. Tiro o pau de dentro de Calíope, quase como se fosse suprimir um gozo, e fico parado, respirando. Calíope olha para mim, seu rosto vira e fica contraposto com suas grandes nádegas branquelas. Com seu rostinho pequeno, meigo e estranho ela me pergunta o porquê de ter parado, dai me pede para continuar e abre ainda mais as pernas. O asterisco que o seu cu se forma, e a boceta rósea aberta, molhada, também estranha me atraí, daí tudo fica negro em minha mente, só sinto os prazeres corpóreos e os gemidos dos corpos. Tinha pena do seu destino, pois dependia do meu destino, tinha pena de sua alma, tinha pena do seu prazer. Sinto que ela goza no meu pau, não sei se, pelo fato dela ter pedido para continuar me desincrimina de não ter começado com sua permissão, ou, se deveria me culpar de qualquer forma sobre isso. Eu havia transpassado alguns limites morais, limiteis factuais dentre outros, e tal coisa me emergiu um ódio, raiva, tristeza, angústia. Por mais que Calíope tenha explodido de prazer, meu gozo foi um excremento de solidão, dentro de uma castigada vagina. De certo, ainda não cheguei a gozar de fato, mas continuava martelando seus genitais, e gemendo, e sentindo, neste momento, naquela trepada, meu espírito se dividiu entre o certo e o errado, e este lado certo assistia enquanto o lado errado fodia. Não cheguei a gozar de fato, quando olho para o lado, para a porta, vejo que Mônica nos assistia a sei lá quanto tempo, um vouyeur estranho, silente, apenas sereno. Noto que no canto dos seus lábios emergia um sorriso, um sorriso com alguma pitada de felicidade.

 

 

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Tenho uma lista de filmes para assistir e um tanto quanto de livros para ler. O tempo é tão escasso nestes anos tão estranhos. Escrevo buscando entender este mundo, tal qual um escritor de um manual de instruções. Pretendo um dia ter uma casa com uma janela para um cemitério. Uma boa maneira de pensar na vida e no futuro indubitável de cada um. Agora buscando uma resposta para o futuro em antigas mitologias perdidas. Também querendo ganhar um dinheiro extra, sou um ser humano como todos os outros, e ter uma independência mesmo que pequena, comprar quadrinhos entre tantas outras coisas. Espero que gostem dos meus textos loucos e das minhas estranhas visões do mundo. Blog pessoal: http://omiopepsicopata.blogspot.com.br/ Twitter - @rhuanroussseau

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