Textos

O lugar.

Acendi as luzes daquele lugar que seria o lugar da nossa primeira vez. Ela passou na minha frente, sentou-se na velha cadeira e ficou me observando. A lâmpada, daquelas de bulbo, bem velha, pendia nas nossas cabeças, fazendo as sombras dançarem ao redor. Teríamos uma lembrança daquele lugarzinho sujo para sempre. As madeiras empoeiradas, as estantes com livros inúteis. Teias de aranha, escorpiões escondidos, o roer das baratas e cupins. O lugar mais sujo do mundo com uma lembrança boa. Estendi o cobertor que trouxera comigo no chão. Ela começou a tirar a roupa. Não tínhamos todo o tempo do mundo, também não estávamos no lugar mais reservado do mundo. A pior coisa que se pode acontecer na primeira foda é ser pego. Precisávamos aproveitar todo aquele momento rápido das nossas vidas. A primeira foda era semelhante a adolescência: rápido demais para ser aproveitada na plenitude.

– Estamos sozinhos – eu disse. Ela estava apenas de sutiã e calcinha. Ambos brancos.

– Isso é uma loucura – ela disse sorrindo – agora tira esta calça.

O zíper desceu. Meu pau já estava duro o bastante para alegrar a festa. Com uma habilidade incomum ela me chupou. Era a primeira vez que fazia isto, mais parecia ter nascido sabendo fazer. Também era a primeira vez que meu pau era chupado. Uma sensação curiosa, boa e engraçada. Não soube ser recíproco. Me enrolei em colocar a camisinha, mesmo tendo praticado por diversas vezes nas aulas de educação sexual. As bananas nunca representaram a realidade. Adentrar uma boceta pela primeira vez é algo fantástico para qualquer homem. Senti o hímen romper num lapso de dor. Ela mordeu meus lábios, durante o beijo, e fodemos sincronizando os beijos e as penetrações. Tristes os espermatozoides que tiveram a certeza de atingir aquela gravidez precoce. Morreram todos numa barreria de látex.

Lembro-me disto tudo sentado na mesma cadeira que ela se sentou, olhando para o mesmo chão onde dizemos amor. Por onde será que ela anda? E o que acontecera conosco. O mundo deu voltas rápido demais, a vida é semelhante a primeira transa: Morreremos na barreira de látex.

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Tenho uma lista de filmes para assistir e um tanto quanto de livros para ler. O tempo é tão escasso nestes anos tão estranhos. Escrevo buscando entender este mundo, tal qual um escritor de um manual de instruções. Pretendo um dia ter uma casa com uma janela para um cemitério. Uma boa maneira de pensar na vida e no futuro indubitável de cada um. Agora buscando uma resposta para o futuro em antigas mitologias perdidas. Também querendo ganhar um dinheiro extra, sou um ser humano como todos os outros, e ter uma independência mesmo que pequena, comprar quadrinhos entre tantas outras coisas. Espero que gostem dos meus textos loucos e das minhas estranhas visões do mundo. Blog pessoal: http://omiopepsicopata.blogspot.com.br/ Twitter - @rhuanroussseau

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