Quero ferir minha audição. Quero ser o motivo da minha própria destruição. Não existem mais tantas palavras, das quais, me fiz escrever, criar, sentir e sofrer. O motivo da alegria também é o motivo da tristeza, e ao longe, tais cavalos que um dia acompanharam a longa e solitária jornada, partem, na distopia do nosso futuro. Dizer que amor é uma realidade intrínseca a natureza humana, dizer que temos algum futuro, alguma chance, algum motivo é uma mentira pura, plena, plana. Não há formas de mudar o não transformável. Fazer a coisa errada é sempre mais fácil e mais saboroso, e as consequências demorarão muito para chegar, talvez nem lembramos que sejam consequências, simplesmente culparemos algo além da nossa compreensão sobre o ocorrido. A preguiça, a dor, a vontade de voltar e mudar tudo, para cometer os mesmos erros. Várias coisas deixaram de existir, um museu que queima, o futuro que se desmancha, as crianças que morrem, toda a esperança de um dia melhor que se esvai nas cinzas do tempo. Cabe a nós aguardar a morte, tal qual o enfermo no hospital. Cabe a nós viver os dias que restam, ainda muitos, com o desejo que estes sejam abreviados sem a dor da tragédia. A pior dor é a tragédia, a pior dor de esquecer da voz daqueles que se foram. É autodestrutivo.

Quero ferir meu coração. Todo o amor que eu senti um dia, todas as sensações, sentimentos, os calores e os frios. Meus nervos são um emaranhado de sentimentos perdidos. Minhas lágrimas, que há muito não conhecem a luz do dia, são pedras roscas que machucam por dentro no ato de contê-las, tentando manter a pintura do duro, quando somos um resto de arte destruída, vandalizada, queimada. Cinzas, tudo o que sobrou, cinzas, cinzas. Queimamos, ardemos, destruímos. Não haverá mais o presente, não haverá mais o passado e nosso futuro, o que acontece de minuto a minuto, é uma repetição das mesmas tragédias.

Esqueçam que um dia existirá felicidade na linha de montagem.

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