Eu sofro o abuso.
Sou imolado, sacaneado
desonrado.
Devo sempre abaixar minha cabeça
e olhar para os pés.
Devo sempre calar-me, pois minhas
palavras custam minha vida.
Eles vão levar o que eu lutei muito para conquistar.
Meus bens materiais, minha honra, minha vida.
Eles não me roubam porque precisam, eles apenas
se divertem pelo ato de machucar.
Maltratar.
Furam minha fila. Pulam a catraca.
Todos pulam, sou o único a pagar.
Me batem, me chutam. Eu posso me defender, mas
se eu buscar a reação, eles vão me matar.
E uma vida tirada, para eles, é apenas um dia na semana.
Lavarão o meu sangue das calçadas.
Encontrarão outro para trabalhar no meu lugar.
Minha família velará meu corpo e sofrerá com minha memória.
Os meus assassinos regojizaram, buscando outra vítima para matar
e comer as entranhas.

Mas eu irei me vingar. Matarei cada um destes que me destratou.
Arrancarei as cabeças de seus corpos, beberei o sangue de suas artérias
Destruirei seus lares, seus familiares, suas vidas e a vida de quem um dia
os conhecera. Destruirei seus túmulos e largarei sal para que nada um dia
cresça novamente. Socarei o chão daquele lugar, até que minhas mãos sangrem…

Acordo, tudo foi um sonho ou pesadelo. Continuo a vítima, a presa, o lado mais fraco.
Continuo indo sem saber se volto.

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