Corra seguindo o rio
Essa maré vermelha de dor
Não diga a ninguém o que viu
Nem o que significa este calor
A tinta não poderá dizer
O som não poderá falar
O silêncio de quem está prestes a morrer
As marcas de quem está prestes a calar

Está mais distante do que se imagina
Pode tentar sair do seu túmulo
Não nasceram meninos e meninas
Não haverá queda sem o pulo
Correndo do lado certo do rio
Olhando para o lado certo do céu
Esperando o sol que ninguém viu
Para dormir na noite ao léu

Silencie sua voz, apazigue sua alma
Não vão voltar na manhã seguinte
Minta para as crianças, as mantenha calma
Não faça da crueldade o seu requinte
Estaremos sozinhos não importa o quão junto ande
Estaremos sozinhos, esfomeados e esperançosos
Mesmo assim faremos tudo o que mande
Pois nascemos em tempos desgraçados.

 

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