A carne cansada
de caçar explicações
para vida bagunçada,
só respiro
e esmago
o máximo de sentido.
Caio e machuco,
esbarro e tropeço,
levanto e erro
… por vezes regenero
a existência humana
tem incontáveis
dialetos.

Por mais que
sejamos espertos
várias vezes
seremos analfabetos,
nosso esqueleto
de forte osso
sabe pouco
e não sabe tudo.
Bem vindo,
esse é o mundo!
Obsoleto e repleto de
significados
secretos
que fervem a mente.
A vida é um dilema
e eu não quis arquitetar
teorias
escolhi
a liberdade da poesia,
da arte como soco
na boca do estômago,
de percorrer um destino
sem dono…

Quem é que eu sou,
qual carinho mais
te alimentou?
A pressão de
responder,
fere.
Aprimorar a paciência,
fere.
Cada um vive [sofre]
do seu jeito,
inventa cura
para o tormento,
mastiga as folhas do
vento
pra passar os tristes
momentos
cada peito
mesmo imperfeito
tenta ser inteiro!

Quando cair
de um precipício
a melhor solução
é perder o juízo
e deixar o impacto
com o destino.
Quando eu caí
ninguém me
tirou de lá,
ou jogou uma corda
pra me ajudar
pois é…
eu mesma tive
que levantar.

Como você faz,
quando alguém
te joga lá
e fica torcendo
para o leão te devorar?
A gente controla
o desespero
e sai vivo
desse quase enterro!
A gente perde
a dó de si mesmo
e talvez isso arrume
algum eixo,
a gente começa dizer
… eu já caí de altura bem
maior e ninguém teve dó!
E eis que do pó
a gente se acostuma
com a luta e dança
até forró.
Na funesta tristeza,
a mãe beleza
pari a fortaleza.

Eu, você e o escuro
fazendo teatro
no mundo,
a morte que leva alguém
que amamos muito
também nos espera
com fidelidade no
futuro,
tudo é uma bagunça
quase que resolvida.

O abismo está ali
e os dentes
só querem sorrir,
quem milimetricamente
os dias quer controlar
além de se frustrar
jamais degustará
o fruto de se aventurar
com qualquer coisa
que se apresentar.

Se a existência
é uma surpresa
eu rego
com gentileza
e navego em sua
correnteza.
Antes eu tinha
medo,
hoje eu tenho a arte!
E você,
tem o que quando
a realidade
te bate?

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