Sem Ideia

Você acorda e abre os olhos: está escuro.

Não. Ainda está escuro. A janela do seu quarto dá de frente para o muro, então você nunca sabe se já é tarde ou ainda é cedo. Você olha no relógio e são 06h50 da manhã. Merda, muito cedo para escrever qualquer coisa. Mas você sabe como resolver isso.

Você pega a ponta escondida, quer dizer, guardada, você não se importa mais em esconder, entre os maços de cigarro vazio do criado mudo e sai para o quintal para fumar. Uma ponta e um cigarro, sempre um depois do outro. Volta para a cama e desmaia.

Acorda de novo, o quarto parece mais claro, e está um inferno. O relógio mostra que são 12h30. Você procura mais da ponta que fumou antes de dormir, e como não encontra, imagina que deve ter fumado ela inteira. Você nunca lembra. Resmunga um pouco, como de costume. Pega mais erva, dichava e bola outro. Leva o laptop para o quintal. “Será que levo o carregador?”, pensa, “eu termino de fumar antes de a bateria acabar”.

Fuma metade do baseado assistindo vídeos engraçados e programando posts nas redes sociais. Ainda nenhuma ideia sobre o que escrever. Fumando a semana inteira, não conseguiu pensar em muita coisa. Fuma um cigarro, a larica começa a bater. Fecha o laptop e vai até o restaurante.

Fuma um cigarro no caminho. O sol está escaldante. Come uma comida boa, e então um doce para completar. Volta para casa fumando o resto do baseado, que havia levado em sua caixa de cigarros.

Chega em casa, assiste mais alguns vídeos e dorme.

Você abre os olhos e acorda: Já está escuro. Você não se lembra do que fez durante seu dia, apenas que estava com fome, mas agora não está mais. Você procura o baseado que havia bolado antes do almoço, mas percebe que o fumou todo. Mas enquanto procurava por ele, descobre que a ponta do dia anterior havia de fato sobrado, mas você a havia escondido em outro lugar. Você volta com o laptop e os cigarros para o quintal e começa a fumar.

Já é meia noite, e você está chapado digitando palavras quase que aleatórias em um documento do word. Ainda sem nenhuma ideia sobre o que escrever.

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Autor: davidconatus

Conatus: Substantivo. Latim para esforço; impulso, inclinação, tendência; cometimento. É um termo usado em filosofias de psicologia e metafísica para se referir a uma inclinação inata de uma coisa para continuar a existir e se aprimorar. Outros autores a chamaram de Vontade, Desejo, Pulsão, Elan Vital, a essência inconsciente que dirige suas ações para satisfazê-la quer você queira ou não. David Conatus, no entanto, não é um substantivo. É um verbo, uma ação, a ação de exorcizar em palavras minha visão da existência e do mundo, e de talvez conseguir um pouco de paz ao fazer isso. Já quanto a paz de vocês, leitores, isso eu não posso garantir. Prossigam por sua conta e risco.

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