– Você está se sentindo muito bem – eu disse no seu ouvido. Aquele arrepio maroto que sobe na espinha e energiza todos os pensamentos safados eclode num mundo de pensamentos faiscantes. Ela estava em pé, esperando a vida passar. Eu estava atrás, em público, conhecendo todo o movimento brusco de se ter felicidade entre tantas tristezas cotidianas – estou me sentindo bastante excitado. Este seu vestido colado deixa qualquer um louco.

Ela ri.

– Você é um louco. Mas está me deixando excitada também.

O ônibus passou, perdemos mais um. Aquele jogo estava divertido. Ele sempre acontecia depois do trabalho, numa multidão cansada que iria retornar para casa. Ele sempre era a preliminar de uma brincadeira mais longa. Começávamos muito cedo. Gostávamos de pensar que ficaria melhor quando todo mundo está olhando, e quando todos podem julgar. Quando encosto minha pélvis em suas nádegas eu começo a me sentir mais excitado. Sei que ela também começa a se sentir mais excitada. Está vestindo o uniforme, está com a boca entreaberta. Neste gesto significativo e único todos que ali estão não observam, mal sabem que uma xota molhada e um pau entumecido brigam por um espaço no mundo.

– Seu filho da puta! – ela diz. Seu riso engraçado é abafado por mais um ônibus que passa. Parte da multidão parte para dentro. A outra fica. Ela esfrega as nádegas em mim, estou com minha mão em sua cintura e teço elogios. Seu corpo roliço e forte demonstra a aversão a exercícios físicos. Nem gorda, nem magra. Nem alta, nem baixa. Nem depilada, nem peluda. Talvez a mulher mais meio termo que eu tenha comido – você está me deixando muito excitada.

Ela disse no meu ouvido, bem baixinho.

Num gesto escondido ficamos agarrados e eu seguro o seu seio esquerdo enquanto ela esconde este fato de uma maneira muito habilidosa para o resto do mundo.

Nossa condução chegou. E finalmente partimos.

Ela usava aquela calcinha branca.

Ela sentiu minha língua passear por aquela xota horas mais tarde.

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