Ela se benzeu três vezes antes de pagar o boquete, ou felação, como gostavam de chamar no dormitório. Ela estava prestando a atenção em todas as sensações. Tinha que contar esta história para suas duas amigas, Patrícia e Bianca. Tinha que dizer como era a sensação de ter o “membro mijador” na boca serpenteando de um lado ao outro. Não sabia se devia fechar os olhos, tal qual cantar no coral da igreja, ou simplesmente ver a mata pubiana do jovem rapaz que empurrava sua cabeça pau a baixo. Nem ela e muito menos ele sabiam realmente o que estavam fazendo. Ela se engasgava e ele segurava o máximo que podia a vontade de gozar. Ela retirara o crucifixo e o guardara no criado mudo. Não queria que Jesus testemunhasse seu pequeno pecado da descoberta.

Estavam escondidos, acocados atrás da caixa da água. Os padres estavam dormindo e apenas os dormitórios ainda possuíam luzes acesas. Da escura escadaria apenas os miados dos teimosos gatos teimavam em existir. As velas brilhantes passavam de um lado ao outro revelando estes santos senhores que teimavam com sua insônia. Também estavam ouvindo tudo, não seria a primeira vez e nem a ultima que um estudante tenta se aventurar na ala feminina do colégio interno cristão.

Ali não formariam nem padres nem freiras, salvo um ou outro idiota. Era um colégio muito difícil de se entrar e muito difícil de se formar, conhecido nos interiores pela sua disciplina. Jovens entre quatorze e dezessete anos se espremiam nos vinte dormitórios muito bem aconchegados. Seguiam a doutrina Cristã habitualmente, com missas e aprendizado. Uma mescla de ensino comum e religioso. Conviviam com amáveis padres e não tão amáveis freiras. Todos nós sabemos que freiras dão medo. Claro que meninos e meninas nunca tinham contato, salvo no refeitório e algumas aulas. A estrutura do colégio não conseguiria afastar todos os impulsos sexuais desta idade masturbatória. Logo quem fosse pego copulando, teria que ser expulso.

E todos saberiam o motivo.

Por isso que ela se benzeu três vezes antes de abocanhar o pau virgem daquele rapaz. Eles haviam trocado olhares no refeitório e logo a engenhosa rede de bilhetinhos e códigos confirmou o encontro deles. Ela, esperta, sabia muito bem o que deveria fazer. Queria ser a primeira a experimentar tais prazeres, isso secretamente é muito bem visto tanto no mundo das meninas quanto dos meninos. Seria mais fácil dela chupá-lo do que inverso. Seu grande vestido, por mais que pudesse ajudar em todo ato, poderia atrapalhar pelo pequeno espaço. Logo, na iluminação pífia da luz de uma lanterna, eles se encontraram e, sem trocar palavras profundas se beijaram e logo começaram a fazer o que foi descrito no inicio.

Ela chupou, chupou, chupou. O rapaz gemia em silêncio mais preocupado em segurar do que em sentir prazer. No passado, um rapaz até popular entre as garotas, gozou rápido demais em uma masturbação em grupo, e ficou conhecido como “Jão Rapidez” até hoje. Dez anos depois do acontecido seu nome ainda ecoa nos lúgubres corredores do colégio cristão Santo Amaro. Logicamente o rapaz não gostaria de ser o novo “Jão Rapidez” e assim pensara na gorda irmã Cristina todas as vezes que sentia que o seu gêiser natural chegava até a esborra.

Claro que ela, mesmo com pau alheio na boca, pensava maquinalmente. Sua mente empreendedora daria bons frutos futuros em algum empreendimento não tão escuso. Pensara que aquilo tudo era uma espécie de primeira vez, porém não iria nada além daquilo. Pensara que a textura de um pênis masculino é algo que, este escritor, por não ter esta experiência, não pode descrever pela personagem, mas ela sabe como é, o leitor curioso também deve saber. Ela também pensara em diversas coisas quando um calor invadiu o céu da sua boca tal qual sopa. Sentiu o gosto e o membro duro amolecer na língua.

Ela engolira o esperma do rapaz com uma profissionalidade espantosa.

O rapaz, esbaforido, tentava engolir algum ar desnorteante, mas tudo que vinha era apenas uma sensação indescritível de ser chupado.

Ela, pensado em todos os aspectos deste último gesto, deixa a mente capitalista pensar mais alto, e num gesto maquinal e involuntário diz:

– Custou vinte reais.

O rapaz assustara-se. Vinte reais!? Pois é, vinte reais. Tinha quinze, que guardava sempre consigo para emergências que nunca existiriam.

– Tenho quinze – ele diz guardando o pinto nas calças.

– Você me deve cinco – ela finaliza. Com gotas de excitação na vagina e uma história completa para dividir com as amigas no dormitório.

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