Pedaços de caminhos incompletos.
Mendigos que me sorriem, pobres sem teto.
Nos cães que ladram na madrugada.
Na minha insônia, delicada.
Na doçura de saber que você dorme e
se masturba pensando na nossa última noite.
Ah, se o tempo acabasse, que sorte.
Estaríamos ricos na vida e infelizes na morte.
Escrevendo com giz nestes dias chuvosos
Quantos dias do passado são tão desastrosos.
Mostra-me uma real felicidade.
Um caminho sutil, uma felicidade clandestina
Uma verdade.
Naqueles tempos que eu era menino e você menina.
Deveria ter dito tudo aquilo que não disse,
mas era por um medo juvenil de ouvir um não.
De ter a primeira cicatriz no coração.
Agora, alcoolizado
e deitado ao seu lado.
Penso o quanto somos idiotas.
De apostar nestas lorotas.
De amar, de viver, de sonhar.
Sabendo que somos caroneiros pedindo ajuda
Que somos os mendigos sem tetos.
Ambulantes nos caminhos incompletos.

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