O presidente não sabe o que é um banho dourado. Quem sabe? Talvez quando todos os holofotes apontam para o lugar errado, buscando alguma sã consciência de que já nascera inconsequente.

Quando todo o lixo da humanidade é despejado nas redes sociais.

Ainda existe um espaço para meditação e Jazz no silêncio de uma quarta-feira de cinzas, onde eu, que não cumpro os prazos, tento reatar velhas contas e ignorar impassíveis mensagens do meu antivírus. Tudo o que eu preciso é formatar a porcaria do computador, mas perco meu tempo rindo do desconhecimento do nosso excelentíssimo presidente da república e seu conhecimento de prática sexual tão nefasta.

Quem nunca mijou na cara de um outro alguém?

Talvez o puritanismo tenha chegado nas portas da percepção tão antes que se possa imaginar. Temos comentaristas de carnaval tecendo regras contra quem mete o dedo no cu de quem, infringindo diversas leis do nosso código penal, demonstrando que não existe amor quando se mija na cara do próximo.

Principalmente quando o presidente da república, que andara agarrado com uma bolsa de merda ao lado do corpo durante vários dias.

Longe de mim aplaudir facadas.

Muito menos aplaudir presidenciáveis.

Nem banhos dourados em público, após dedadas anais.

Algumas formas de amor precisam estar escondidas nas quatro paredes sepulcrais de um quarto. Não importa quantos escutam os dedilhares de Mingus. Toda forma de amor velada na reserva de sua intimidade não será comentada pelo presidente da república, muito menos levará a curiosidade presidencial de saber o que é um banho dourado.

Ou um fisting.

Ou um bondage.

Quis mandar um link do Xvídeos, quis mesmo catequizar tal alma sobre tal gesto. Talvez os espíritos pacíficos de mais uma carnéia em paz me deixara soterradamente silencioso. Ficar durante quatro dias no completo silêncio de meus pensamentos obscuros trouxeram um tanto quanto de luz e senso de humor para cada pedaço flagelado de dia que resta na humanidade. Pensar que o momento mais esperado do ano de um imbecil já se fora, e agora o arrastar dos dias levará sua alma para o oblívio secreto do caminhar dos ratos.

Saber que o resto do ano está aí, agora terá que vive-lo.

E que cada penoso e doloroso dia será a algúria para a espera do próximo feriado.

Minha mente não é mais tão derrotista, pouco a pouco me torno um niilista não praticante.

Mas dormirei com este pensamento: Será que nosso presidente sabe o que é o “2 girls 1 cup”?