Talita é a filha de uma vendedora de roupas na esquina das casas Bahia.

O nome é falso, mas a história é real.

Nosso primeiro beijo foi atrás da lojinha de sua tia, de artigos evangélicos. Nos beijamos timidamente, eu tomei a iniciativa. Já possuía alguma experiência no assunto. Seus olhos azuis saltaram de susto e ousadia, mas logo a dança estava pronta. Dançamos nestes beijos durante alguns poucos meses.

Neste intermédio meu cachorro morreu de velhice.

Nosso segundo beijo foi num estacionamento público, eu ajudava sua mãe a levar as cosias para o carro. No mesmo dia eu havia beijado outra guria, do qual não lembro-me do nome e nunca mais vi, poucas horas antes, na escadaria do Teatro José de Alencar.

Nosso relacionamento foi bom até certo ponto. Acredito que relacionamentos sem sexo não são duradouros, e ela desejava realizar a penetração real apenas após o casamento. Não queria me casar, muito menos ficar batendo punheta até esta data.

Ela também não sabia muito bem o que queria. Sua mãe controlava cada ato de sua vida. Por fora uma feminista que brigava pelos direitos das mulheres e por dentro seguia cordeiramente as atitudes machista da mãe.

A vida é assim, cheia de ironias.

Nos beijávamos em um dos vários cantos escondidos do campus da UFC.

A primeira vez que deslizei a mão para dentro de sua calça ela segurou meu pulso. Parei. Continuei beijando-a e agimos como se isso nunca tivesse acontecido.

Da segunda vez ela que levou minha mão até o caminho da sua calça. Foi seu primeiro orgasmo e também seu primeiro orgasmo em local público.

– Rhuan, como você consegue isso!? – ela perguntava suprimindo os gemidos.

“Eu tive uma amiga lésbica”, pensei.

Terminaríamos poucos dias depois daquilo. Sua amiga era mais interessante.