O barulho dos gravetos ecoam no silêncio fúnebre deste lugar que eu não gostaria de estar.
Eu gostaria de saber se eu realmente estou, ou se é tudo fruto de um sonho mal acordado, de uma noite mal dormida, ou dos remédios que tomei demais tentando extirpar minha vida inútil do mundo terreno.
No longo do caminho apenas as trevas encaram-me, junto as árvores e os medos. Sinto que toco em pés de enforcados, diluídos nos milhares galhos ao meu redor.
Uma ansiedade toma conta de mim, não conseguia acordar, não era sonho. Como haveria de estar em um lugar que nunca estive? Um bosque, uma floresta? Talvez fosse lindo ao amanhecer, mas no escuro apenas a treva e a solidão que as árvores poderiam me dar.
Estalares de galhos começam a borbulhar nas minhas costas. Ando mais rápido esbarrando em árvores que apenas vejo ao machucar meu rosto em seu tronco. Escuto que quem me persegue está cada vez mais próximo. Sem saber a animosidade deste que cheira meus calcanhares, eu decido correr.
Os galhos me cortam os braços, vejo que visto a mesma roupa com qual fui dormir. Minha vista não enxerga mais longe que meu nariz. As longas árvores surgem como seres fantasmagóricos, fechando tudo, rodeando a todos. Como um exército inerte, soldados de madeira que estarão fadados a estarem ali, presos em seus próprios pecados.
Não é inteligente correr em uma floresta.
Apenas o barulho da minha perna partindo e o meu grito de dor ecoou naquela madrugada.
O osso rascado a carne e a sensação do quente sangue corroer-me os nervos faziam minha vista enevoar.
Haveria dor em estar sentido dor?
Por um instante eu via-me em meu leito, na minha cama, no meu quarto, perdendo a respiração pouco a pouco.
No outro instante eu estava deitado na milhares de folhas mortas e úmidas, sentido dor. Sentido medo.
O pavor toma conta de meu rosto quando encaro meu perseguidor.
As horas de dor se somaram as horas de agonia quando o inominável ser da floresta devorava minha alma.

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