Tudo o que me restou foi um punhado de moedas no bolso.
Um pouco de coragem na cara.
As trevas são frias aqui, do fundo do poço.
O caminho de fuga é uma estrada ainda mais rara.

O punhado de terra que juntei com as mãos nuas
A angustia é igual a comer arroz com vidro.
No arrastar dos passos em desertas ruas.
O murmurar das vozes como um puro delírio

Do ônibus eu enxergo o seu rosto e sinto o desejo
Está distante para mim como um sonho jamais sonhado.
Não sei se você é a morte ou apenas um anjo
No profundo da noite, nossos cadáveres em um silencio velado.

Não existe um lugar para mim, não existe um lugar no mundo
Tudo o que me restou, um punhado de moedas e a terra de algum lugar.
Volto para o meu lar, o poço do qual habito o fundo.
Desejando que chova, para que eu possa me afogar.

Neste silêncio sepulcral que banha-me tal noite.
Não durmo sem pensar no que ela estaria pensando.
Aprendi a nunca depender da sorte.
Aprendi a nunca tropeçar quando ando.

Vejo o dia amanhecer do fundo de meu buraco.
O brilho do sol não atinge onde eu estou
Tomo forças para mais uma manhã, apesar de estar fraco.
Tenho que cuidar dos pedaços de tudo que me restou.