Agora elas estavam apenas esperando as horas passarem e por causa disto, as horas demoravam ainda mais para passar. No vazio dos seus interiores, até aqueles momentos de puro prazer, não existia mais dor no mundo, talvez não existisse mais o mundo. O que elas deveriam ter além de tudo isso? Descobriam-se, e todo o resto tornava-se banal. Um amor estranho que surgia, meio fraternal talvez. Não comentavam sobre os atos, pararam de conversar entre si, pararam de se encontrar ou de matar aula. Queriam gastar seus íntimos momentos entre os gemidos do segundo andar vazio de Léa.

Elas se permitiam, distante de um mundo que queria engolir cada pedaço de suas almas.

E quando todas estavam reunidas, aqueles momentos se faziam únicos. Mariena estava sorrindo quando despiu-se. As outras meninas estavam se despindo também. Mariena não tinha mais vergonha das manchas roxas que ela tinha nas coxas. Todas sabiam o motivo das marcas, mas ninguém entraria no mérito. Mariena não teria olhares julgadores e também não julgaria. Gardênia também despia-se, ria e falava muito enquanto tirava cada peça de roupa.

Do mesmo jeito que Léa fazia, ainda com algumas piadas sobre peitos murchos dentre outras coisas.

Tâmia mantinha-se em silêncio.

Suas nádegas estavam sujas de poeira por causa do chão. Ela ouvia a conversa das meninas, uma conversa animada, mas tudo parecia um pouco mais distante, e o medo surgiu em seu coração.

– Eu não sei quanto tempo isso irá durar – disse cortando o coro alegre de todas aquelas meninas felizes – digo, tudo tem seu fim trágico, não está sob nosso controle.

– Ah Tâmia, deu para falar poesia agora? Deixa de nó na cabeça, doida – diz Mariena.

– Não, não é isso. E quando tudo isso ficar chato, e quando enjoarmos, ou alguém se mudar, ou alguém começar a namorar, ou alguém morrer. E quando nada disto aqui fizer sentido? É isso o que eu digo, este nosso momento é muito frágil, quase inexistente. Isso que vivemos tem os dias contados. É como cuidar de um cachorrinho, ele vai morrer mais rápido que a gente.

– Isso é um jeito muito pessimista de ver as coisas – diz Gardênia.

– Eu sou realista. Sei que a tragédia caminha junto com os trágicos.

Elas começaram a se masturbar, como faziam há tempos, os gemidos logo começaram a surgir, e os prazeres e os vapores de um amor solitário.

No alto de orgasmos barulhentos de uma noite silenciosa.

Apenas Tâmia não gozou naquela noite.

 

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