A vida é uma causa perdida,
um declive na estrada.
na pasta negrume que unta com mentiras
os podres que perseguimos.
Não há dores o bastante
nem perguntas inquestionáveis de
abissais sextas noturnas.
De tanto odiar aos mais jovens
noto que envelheço bem, com a saúde
de um esquizoide.
Pregando o desejo fúnebre
de um iluminado túmulo
sábio, num pé atrás
esperando as loucuras de nossa sociedade.
E mesmo ao acordar
no barulho dos escritórios
dos mascates
e das crianças que correm para a morte
O incêndio inevitável da torpe vida
que tenta lamentar
tenta noticiar
a mesma repetição infame.
Mãe, Pai, Filho
Espírito Santo,
com todos os latentes pecados
as putas e seus filhos
Gays, lésbicas, simpatizantes
pais de família em geral
vivendo no punho do mundo
na dor do parto
com a ampulheta do câncer.
Não haverá esperança, não haverá futuro
apenas com o destino que nos guarda
em sua mala de roupas sob o guarda-roupa
E na tarde de sábado, quente, infiel,
os maridos sairão de suas cavernas vaginais
Terão filhas que virarão mães e serão traídas
no eterno ciclo pirídico da química orgânica.
Estupradas.
Castrados.
No noticiário policial das seis da tarde.
Estará morto, no sofá da sala, ainda comprado
na base da prestação.
É perdido. Não tem jeito, não haverá salvação.
Com as igrejas cheias de carolas cantarolantes,
cuspindo seus marimbondos perdigueiros
vendendo os favos de mel de suas pregas
não há esperança no fundo do poço
nem no fim do túnel
não há.
No eterno ciclo perdido
com as mesmas histórias
nos mesmos minutos
dos mesmos momentos
é isso que é e não haverá mudança
é isso e nada mais
é a eterna causa perdida
que a vida é.

 

Anúncios