Maria Cláudia masturba João Pedro. Existe um corredor nos fundos do colégio Clementino Soares que apenas os zeladores vão.

– Vai, vai, vai – geme o garoto num mix de silêncio e luxúria – eu vou gozar!

Pássaros cantam num quintal distante.

O esperma quente escorre pela mão de Maria Cláudia.

– Você quer que eu retribua? – João Pedro diz guardando seu pau e fechando o zíper.

– Não. Eu quero que você me pague.

– Você não deu um sorriso enquanto batia punheta para mim – João Pedro procura no seu bolso esquerdo o dinheiro que sua mãe tinha dado para o lanche. Eram dez reais, que serviria para três dias de coxinha com refrigerante. Mas agora o garoto estaria muito mais bem alimentado – toma.

Maria Cláudia pega o dinheiro e o guarda. O sinal para o recreio toca. Eles se dispersam. No banheiro feminino ela sente a água cair em suas mãos. Em sua mente apenas uma pequena dor, uma dor de cabeça que rodopia tal qual uma mosca.

Se tranca no box, senta na privada e acende um cigarro. Na porta pichações.

“Vadia”

“Puta”

“Ana Clara é uma biscate”

Não havia sorriso. Apenas a fumaça que exalou de seus pulmões para o céu fechado do límpido banheiro feminino. Ao final do recreio, todos os alunos do colégio Clementino Soares se agrupavam em suas respectivas salas de aula. As garotas em um grupinho rindo e falando besteira, parte dos garotos retornando de seus jogos, suados e fedorentos. Os ventiladores mal funcionavam, o que deixava a sala mais quente. A próxima aula, matemática.

Maria Claudia viu que João Pedro estava em uma rodinha com outros quatro garotos. Eles conversavam e riam, ele olhava para ela, dai ria novamente.

A aula começou. Todos silentes prestando à atenção. Alguns murmúrios cá ou lá que são silenciados pelo professor. Maria Claudia busca se manter atenta, ela gosta de matemática, mas o bilhetinho que chega numa folha de caderno rasgado repousa em sua mesa

Depois da aula, perto da caixa d’agua” –  André.

Com o toque do sinal todos os alunos saem correndo. Maria Cláudia foi até o ponto de encontro. Não tardou muito para que André chegasse.

– Você também chupa? – perguntou André, sentando num batente descendo o zíper de  de sua calça.

– Não, só masturbo. Dez reais o valor. Me mostra o dinheiro antes.

– Eu tenho o dinheiro, não confia em mim?

– Depois que você gozar, só posso por o esperma para dentro de novo pelo seu cu, se você não me pagar.

Todos ficam em silêncio, André tira a nota vermelha de dez reais do bolso.

Ela começa a masturbá-lo. Logo seu pau fica duro, não dura muito, ele goza em, no máximo, cinco minutos.

– Não vá espalhar por ai que foi rápido – diz André subindo o zíper, visivelmente incomodado.

– Não vou manchar sua popularidade André, fique tranquilo. Meu dinheiro.

André estende a nota, porém quando Maria Cláudia pega no dinheiro, André o segura.

– Te pago 50 reais para você me chupar.

Maria Cláudia nada disse. Seu rosto não expressava nenhum sentimento, nada, como se trabalhasse numa clinica de fertilização.

– Pense com carinho – diz Andre, indo embora. Maria Cláudia olha para a mão direita, suja de esperma e guarda o dinheiro.

Lavou as mãos, sentou na privada, e começou a fumar. As mesmas pichações, os mesmos pensamentos que eclodiam em sua cabeça como borboletas asquerosas. A mesma raiva. A chama do cigarro deslizava até os dedos. as unhas roídas com cantos machucados. As vezes ela sangrava, as vezes doía.

As vezes nada fazia sentido.

Com 10 dos quarenta reais que tinha conseguido naquela manha ela comprou outro maço de cigarros, uma pequena garrafa de cachaça e um batom vermelho. Financiou seus pequenos vícios. No caminho de casa, em uma tarde agradável, pensou no porquê de não estar com fome. Todos os seus colegas de classe em seus lares, com suas famílias, e ela ali respirando e andando, não desejando tão cedo voltar.

Já deitada em sua cama, fumando seu cigarro e bebericando a pequena garrafa de cachaça, querendo devaneios, via o quão idiota eram aqueles meninos. Saciava um prazer ridículo em troca de alguns dinheiro. Aproveitava-lhes de sua inocência, de sua lascividade. Todos gozavam rápido demais, em cinco ou dez minutos de trabalho ela poderia ganhar mais que o seu pai ganha em um dia inteiro.

Já conseguia somar, em seu cofrinho, quase mil reais.

A fumaça preencheu o pequeno quarto. Sim, aquele bando de punheteiros imbecis com suas vontades rasas. Paus pequenos. Talvez aceitasse a proposta de André, quem sabe ir um pouco além. Sabia que alguns professores a olhavam com certa malícia. Sabia de um ou outro professor que, sabendo de seus serviços masturbatórios, gostariam de pedir, quem sabe, alguns minutos.

Pensava nas coisas que poderia comprar.

Tudo o que precisa é de alguns minutos de prazer, e nada mais. Uma geração com ejaculação precoce, vontades e manias.

Maria Claudia olhou para sua mão direita, a branca palma esticada.

“Seria só isso?” pensou.

Também pensou que o amor não era para ela.

Apagou o cigarro, fechou a garrafa (escondendo-a embaixo da cama) e adormeceu. Mantinha na sua mente os dizeres “nada fazia sentido”.

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