Um velho poeta, no ônibus, entregava uma flor para uma menina,
após se oferecer a segurar o capacete da moto.
Ele se declarou como um velho poeta.
(Eu observava tudo na cadeira de trás, fazendo um origami).
O velho poeta prometeu que a colocaria num poema,
porém mal sabia ele que também seria vítima de um poema.

Pus a pajarita de papel no canto da janela
ainda escutando atentamente.
O velho poeta declama sua poesia,
passando vergonha entre os conviventes do coletivo.
Temi, aquele poderia ser um “eu velho”.
Vítima do poema de outro poeta.

Ao descer, vi que alguém segurava a pajarita que fiz
E que o velho poeta continuava a falar.
A moça do capacete também desceu, comentando com amigos:
“é cada doido” e assim sumiu na multidão.
O velho tomou-lhe o nome para vitimar em sua poesia.
mas quem com verso fere, com verso será ferido.

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