A bunda de uma adolescente rebola descaradamente às 20:00 da noite de uma quarta-feira. Ela acha que já tem idade o bastante para colecionar rolas. Ela acha que tem idade o suficiente para ser irresponsável. Veste um super shortinho e a parte de cima de um biquíni dado de presente.

Seu corpo.

Suas regras.

Ela se debruça na janela do meu carro, pergunta se dou uma carona até o seu bairro perigoso que não iria nunca por uma xota. Ela se debruça e vê que tenho 20 reais jogados em cima do painel. Insiste na carona, mas eu digo:

– Não vou por aquelas bandas guria, mal aê.

– E esses vinte contos? – ela diz.

– Divirta-se – dou o dinheiro a ela sorrindo. Minha boa ação. Ela saí, rebolando sua bunda juvenil e solitária. Ainda tenho uma grana na carteira, vai me render três garrafas de cerveja e uma vodka, talvez.

Estou parado, são duas da manhã. Quinta-Feira sorri para mim. A garrafa de vodka pela metade, não posso mais dirigir, se o fizer baterei este carro. Se ao menos morresse. Mijo em uma das garrafas de cerveja vazia e a jogo pela janela do carro. Ela espatifa no chão, um pouco distante. Vou dormir no carro de novo. A deusa da decadência dá um sorriso delicioso para mim.

Acordo com o buzinar de um ônibus. Estava parado em um pequeno beco, agora precisarei sair. O álcool fora do meu sangue, posso dar mais um rolê. Não quero ir para casa. Paro na padaria, compro uns três pães, seis cervejas, e um chocolate. Ouço gritos no caixa. Dois moleques, uma guria. Eu reconheceria aquela bunda mesmo no escuro. Fiquei na dúvida se as armas eram de verdade ou mentira. Escondi a chave do carro dentro da cueca, o resto podiam levar. Eles gritavam demais. não eram profissionais do ramo. A caixa começa a encher uma sacolinha de compra com dinheiro. Eu contei, iam levar no máximo duzentos reais.

Começaram a levar os celulares dos clientes. Apontavam a arma, eram muito violentos. Eu nem estava com as mãos levantadas. Tinha ligado o botão “foda-se” ha muito.

– Ei velhote, passa a porra do celular!

– Chegou tarde, já roubaram.

– Tá querendo zoar, velhote – escuto um click na arma.

– Ele não, ele não. Esse velho ai é gente boa – diz a menina.

– Se safou velhote.

Eles saem, reparo pela última vez na bunda daquela guria.

Em casa, no noticiário, três assaltantes foram mortos pela polícia fazendo saidinha bancária, todos eles com idades entre dezesseis e dezoito anos. Vi o corpo de um deles, a bunda era inconfundível.

Anúncios