Sempre brinco que sou velho, na verdade às vezes me acho um mesmo. Mas na realidade sou jovem, sinto a energia da juventude fluir por mim uma vez ou outra.

Me sinto apto e sei que posso passar horas performando no meu máximo. E quando isso acontece sempre dou resultados excepcionais no que eu estiver fazendo. Seja escrevendo, criando soluções, programando, enfim criando em alta performance.

Mas nesses últimos meses notei com mais atenção dois fatores que preciso lidar para sempre sobre o meu corpo; a diabetes e meu psicológico.

Aprendi que uma mente vagante é uma mente Infeliz. E que às vezes posso estar disposto e, simplesmente mudar isso ao ter uma hipoglicemia. Nesse quase um ano com diabetes percebo também o quanto ela muda meu humor, com uma hiperglicemia posso ficar estressado além da conta.

E se relacionar com outras pessoas quando você ainda está aprendendo a notar seus comportamentos, é muito difícil, para você e para os outros que não tem culpa alguma.
Mas relacionamentos são nos momentos ruins e bons né?

Estou numa das melhores fases da minha vida, nunca me senti tão bem comigo mesmo, com os pensamentos tão livres, me sinto estável, talvez seja os remédios, as sessões de terapia, sinto o vazio que sempre senti, mas hoje quando o mundo desfoca e tudo fica cinza, eu consigo derrepente em um instante lidar com tudo que está acontecendo.

Lembro do meu irmão, mas quem sou eu para falar sobre seus sentimentos. Sobre o que ele passou, sobre como foram suas noites mais tristes.

Olho para o teto e tudo que vejo é a eterna escuridão de estar sozinho.

A solidão de si mesmo, o só que é de dentro e nunca consegue chegar fora. Pois é seu, somente seu.

Sinto o frio que tudo se tornou, sinto como se eu estivesse congelado, como se nem a brasa flamejante das coisas boas da vida me esquentassem, às vezes não sinto mais nada, mas persisto.

Penso as vezes se você chegou aonde estou, me pergunto como aguentou até os vinte sete? Eu beirando os vinte e seis e já tem 12 que não entendo mais nada, queria saber qual era o propósito que o mantinha persistindo, eu não tenho um específico ainda, eu na verdade não tenho mais nada, eu perdi a mim tentando te esquecer, na verdade esquece-los, é no plural.

E como queria esquecer esses dia, queria, mas não posso. E assim vou lidando com minha mente vagante, nossos dias que passam.

Enfim, tenho vinte e poucos anos, faço parte da geração Y, millennials, ou sei lá qual é o nome mais hype que estão usando no momento.

Tento compreender isso, e sempre me pego pensando no fenômeno de que toda geração acha que é melhor do que a anterior, e que sempre quer deixar um legado maior para a próxima, mas penso que certos estereótipos que estão sendo criados não valem de nada.

Por um simples motivo; nossa geração está cagando para os protocolos sociais criados no passado.

Dizem que não sabemos nos relacionar com as pessoas. Que somos superficiais, interesseiros, que falta amor. Reciproca, diálogo, que por causa do Tinder, do Facebook, do Twitter, Instagram e tantas outras redes sociais não estamos mais sabendo sentir empatia, que vivemos pelo like e quando não gostamos mais é só clicar no botão unfollow.

Uma pessoa querida deixa de existir para você com um blocked.

Estamos na era das maiores taxas de divórcios.
Com os indicadores de abusos, assassinatos e violência no ápice, tudo por falta de compressão do eu e do outro.

Mas apesar das circunstâncias, eu ainda acredito que sabemos nos relacionar, ou estamos caminhando para isso. O grande problema é que a gente sabe se relacionar de uma forma diferente do passado, menos dramática e com menos firulas do que as gerações anteriores.

E vou explicar por quê; nós estamos tacando o foda-se aos protocolos sociais, ou pelo menos, estamos tentando.

Por exemplo, sabe aquele seu Tio Babaca que despreza seu sonho de trabalhar com sua arte e sempre que tem a chance fala mal do seu corpo, da sua aparência, de algum fato a respeito de você? Então, ao contrário do que dizem seus outros parentes, seu Tio não te ama.

Esse não é o jeitinho dele de demonstrar afeto. Ele não fala essas coisas porque se preocupa com o seu futuro. seu Tio é apenas um escroto, que provavelmente tem os pensamentos arcaicos adquiridos na geração dele.

E ele gosta sim de te colocar pra baixo.

Os nossos pais, tios e avós tem o costume de dar muita corda para esse tipo de comportamento, tanto o seu, quanto os Tios individuais de cada um deles. Mandam felicidades no aniversário, fazem reuniões de família para visitá-lo, montam grupo no WhatsApp para compartilhar umas piadas sem graça e trocadilhos infames feitos com emojis. Essa relação, que só traz amargura pra sua vida (seja na forma de reprovação da sua profissão, de desprezo pela sua escolha religiosa ou orientação sexual, de comentários infelizes a respeito da pessoa que você ama) é sempre empurrada com a barriga pra manter as aparências e o status quo.

Dessa maneira sempre seguindo os protocolos sociais que eles aprenderam e foram criados. Isso é o default, o normal, o padrão para seus pais, seus avós, para seus tios, para geração deles, mas não na nossa.

Então quem se fode nessa equação?

A porra da geração Y, que não compreende isso com uma norma, como default, pois não deveria ser mesmo.

Então querem enfiar na nossa goela abaixo que precisamos manter relações horrorosas baseadas numa eterna punheta social por algum motivo bizarro, que não compreendemos, como para não machucar os sentimentos da Vovó, que é mãe do Tio escroto. Ou porque vai ficar chato para o seu irmão, que trabalha na firma dele.

Pra quem não entendeu até agora, a metáfora é pra qualquer amigo, “primo de consideração”, parente, namorado ou colega de trabalho. Às vezes, é aquele cara que emprestou uma grana pro seu pai quando ele tava falido. Outras, ele é aquele primo que é racista e homofóbico, mas-é-um-amor-de-pessoa.

Aquele tipo de pessoa que fala; Tenho até amigos que são.

E aí que tá: as pessoas da nossa geração não estão dispostas a participar disso. A gente tá de saco cheio de preservar relações tóxicas por causa dos pudores ou pendências de outrem.

Nós cortamos o laço mesmo, unfollow e blocked porque a gente não precisa disso pra viver. Não vamos telefonar, não vamos na festinha de aniversário e com alegria perderemos aquela oportunidade única de visitar o Tio babaca. Não queremos casamentos falidos pra manter aparências, amizades sanguessugas, relações familiares que te consomem e te fazem sentir a criatura mais inútil do planeta. Precisamos, sim, de gente que nos ama, que nos ampara, que aceita as nossas maluquices, ambições e júbilo ao compartilhar um post de gatinhos vestidos como personagens de Game of Thrones.

Aquele papo de que relacionamentos exigem sacrifícios, de que o amor dói mesmo, que relações são difíceis e exigentes, pra gente não tá mais colando. O que é querido, o que eu prezo e quero perto de mim, não é pra machucar. Não é pra doer nem pra me fazer sofrer, é pra ser gostoso, é pra dar aconchego, harmonia e tesão. A gente curte o amor-pássaro do Rubem Alves, que é livre para voar, mas daí pra ele cagar periodicamente na nossa cabeça já não dá.

As nossas relações, pra quem vem de outro background (que carrega consigo outros costumes e hábitos), podem parecer vazias e apenas virtuais, mas não são. Nós encontramos pessoas queridas com tanta frequência como se fazia antigamente? Talvez sim, talvez não.

A gente também não se sente culpado por ter relações curtas. Qual o problema de transar com aquele cara do Tinder e nunca mais ligar, se vocês só queriam sexo mesmo? Ou aquela amizade de verão maravilhosa, que foi boa enquanto durou? Pra que tentar ficar achando significado e profundidade em lugares que não precisam disso? já superamos o carpe diem, o nada-acontece-por-acaso e estamos em paz com a noção de que relações humanas não duram — e nem precisam durar — para sempre.

E isso não significa que somos frios, acho legal avaliar e compreender que fazer as coisas de um jeito diferente da geração anterior (e isso vale pra relações humanas, formação, empregos e modus operandi no geral) não significa fazer errado.

Na verdade nada é tão preto no branco, certo e errado, a vida ensina que as coisas não são tão simples.

Pode ser que a gente queira abraçar o mundo, mas talvez a motivação pra falar tão mal da nossa geração seja, bem lá no fundo, o desejo de ter a nossa fluidez.

Às vezes, eu escrevo essas coisas porque não consigo dizê-las, não conseguia entender meus sentimentos em relação a elas, não conseguia mantê-las presas dentro de mim.

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