Senti o seu virginal sangue escorrer quando penetrei a primeira vez. Tudo envolvido com uma jura de que este dia teria um amanhã e outro amanhã. Depois de gozarmos, você pensava em paixão e eu pensava em como iria me livrar do seu amor. Quem sabe, se seus pais tivessem te educado melhor, você suportaria melhor minhas investidas de cafajeste que funcionam tão bem com as mais velhas então porque seriam imune as mais novas? Penso que você demorou muito para dar a primeira vez, faltam o que? Um ano e meio para os seus dezoito anos? Que porra de mundo é esse que os adolescentes não querem mais trepar, se entorpecer e morrer aos vinte sete? Droga, pensar que em seu quarto virginal de menina doce eu nem posso acender um cigarro. Pensar que não existe uma gota de álcool nesta casa sem graça e que esta transa  não foi lá aquelas coisas. Tudo motivado para saciar minha fome de predador, tudo feito para objetificar uma vontade minha, uma vontade lasciva, humana por demais até, de meter o pau em tudo que tem uma xota. Agora ela jura que eu irei amá-la e cuidar dos nossos filhos. Agora ela jurá que o mundo sera tão colorido e belo. Eu, na mesma idade, poderia pensar assim se não tivesse os outros para culpar das merdas que eu fiz. Nesta idade eu já era um bêbado, fazendo besteira, matando pedaços de minha vida. Agora, quem diria, cá estou eu deitado em uma cama de solteiro muito macia, num quarto com uma parede roxa dentre outras normais. Ela é normal, religiosa até, ainda tem suas pelúcias de infância. Dá vontade de dizer que em pouco tempo ela já tem idade para entrar num motel. Dá vontade de dizer que amanhã ela nunca mais me verá, dá vontade de dizer que o mundo é aquela droga lá fora e eu faço parte desta droga. Sim, ela se lembrará de mim como um cafajeste, como um babaca que desaparecera. Sim, ela lembrará de mim como alguém carinhoso porém, com um vício terrível em decepcionar a todos que me amam. Eu nunca menti, mas também nunca foi honesto e por pura honestidade tudo o que eu mais queria agora era fumar um cigarro e estar bêbado. Tudo o que eu queria agora era voltar no tempo e não ter trepado contigo, não ser o responsável por este amor platônico não correspondido. Porém, agora é muito tarde e o meu esperma já se espalha pelo seu útero na busca de um óvulo para fecundar. Penso em te avisar sobre a pílula do dia seguinte. Penso em te avisar que tudo isso fora uma merda por completo. Mas você dorme, nua e bela como um anjo, deitada no meu peito e roncando baixinho. Você dorme e eu sinto o seu calor. Adormeço e sonho com um dia onde eu serei alguém que preste.

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