Eu tinha acabado de lavar o banheiro. O cheiro de água sanitária estava impregnado nas minhas mãos. Até hoje não consigo sentir este cheiro. Lá fora, uma fina chuva começava a cobrir a cidade, o que significava que os clientes iriam entrar, com os pés lameados, e deixar um rastro de pegadas nos corredores que eu havia acabado de limpar.

Mas nada me importava, eu estava na minha pausa de 15 minutos. Eu tinha comprado um cupcake que, na época, o nome era apenas “bolinho”. Também comprei uma vela fina e branca, daquelas de aniversário. Enfiei a vela no bolinho, sujando-a com o glace sem gosto daquele bolinho de 1,20.

A cozinha estava escura, a luz da vela iluminou meu rosto. A chuva ficou mais forte e logo me chamariam para limpar algum rastro de passos dados no corredor da farmácia.

Canto em minha mente um “parabéns pra você”

Apago a velinha e com três mordidas eu como o bolinho. Eu estava fazendo, na época, 19 anos de idade.

Isso tem 10 anos. O tempo voa.

Naquele dia me senti completamente solitário. O dia dez de dezembro sempre me descera amargo na garganta. Eu apenas comemorava mais um ano de planos mal sucedidos.

Hoje, completando 29, sinto que é a última vez que sentirei este amargor na garganta.