Um, dois três. Ela sobe na cama. Seu vestido está no chão, seu sutiã e calcinha também. No teto está refletido o seu sorriso, talvez este espelho seja o único luxo daquele lugar. Não podíamos pagar, o esquema era, ambos, correrem pela recepção até a rua. A porta não era fechada eletronicamente e no centro, de madrugada, todas as esquinas eram esconderijos. Dentro da sua peluda vagina a satisfação de ser um homem, de meia idade, com alguma saúde e um pouco de dor nas costas. Todo o álcool consumido nestes anos e os quilômetros de cigarros acesos não me deixariam nunca mentir. Naquela dura cama, entre as magérrimas pernas daquela estudante universitária(que porra, porque ela estuda agronomia?) que aprendera agora como fugir de um motel sem pagar.

Ficamos três horas, eram duas da madrugada. O tempo como nosso maior inimigo. Ela estava bêbada, cheirada, fumada. Tínhamos um pouco de pó que logo foi consumido com um resto de vodka e todo o conteúdo da mini-geladeira (ou frigobar). Eu gosto do silêncio destes motéis, não importa a suruba que esteja acontecendo entre estas paredes, tudo parece tão sepulcral. Quase uma igreja em dia de semana. Precisamos tomar um banho gelado para que um pouco da nossa agilidade retornasse as nossas carnes, fazia parte do jogo e tinha quer ser um jogo de ganha ou ganha.

Um, dois, três.

Nós corremos, tentaram correr atrás da gente, mas eu conhecia cada esquina, cada beco, cada lugar do centro da cidade. Nos engalfinhamos em um inferninho que estava no ápice da noite: Mulheres feias, velhas e loucas buscando seus trocados para um bom final de semana, talvez visitar o filho no interior. Qualquer coisa valia naquela selva perdida e qualquer pedra empilhada poderia significar um problema. Estávamos escondidos no epicentro do inferno. O pó nos causou uma paranoia, ela dizia toda vez que aquele homem, do outro lado do bar, estava olhando de maneira suspeita. Ela tentava me passar a maconha por debaixo da mesa, achando que ele era um policial e ela se ferraria por estar com um cigarro e meio. “O que minha mãe vai dizer!?” Ela sussurrava.

Sua mãe nunca saberia que ela estava transando com um cara que tinha idade para ser o pai dela, além de terem fugido de um motel sem pagar. Sua conta já estava no vermelho. Não é para principiantes este jogo.

Saímos de lá assim que pudemos. O sol já começava ameaçar a surgir. Zero consumação. Deixei-a em casa. Ela disse que tinha ido dormir na casa de amigas, para fazer um trabalho do curso de agronomia. Como sempre, eu alimentando as mentiras contadas nos seios familiares.

Ela me liga. Eu tinha salvo o seu nome como “principiante” no meu celular. Ela quer um segundo tempo neste sábado.

Mas tenho compromisso.

Desligo e volto a beber.