O que cada um sente é mistério

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O que cada ser humano sente é mistério, nunca saberemos ao certo o que se passa no coração de outra pessoa, não sabemos ao certo nem o que se passa com nós mesmos.

Somos seres individualistas, eternos ímpares que apenas vivem coletivamente, cada um de nós somos nossas próprias digitais, únicos, inconfundíveis.

Só a gente sabe no nosso íntimo, bem no íntimo,  o que se passa, o que dói, o que nos provoca sorrisos, o que nos causa arrepios. Os cientistas poderiam se dedicar séculos para criar uma fórmula que fizesse transparecer nosso interior que seriam fracassados, pois nosso interior é intocável.

Ninguém saberá por completo nossas razões, opiniões e sentimentos.

Você compraria a imagem que vende aos outros? Você compraria o discurso que você clama?

O que você diz, o que você demonstra, o que você faz frente aos outros condiz com quem és ou você só vende uma imagem popular que todo mundo compra?

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Sociedade Robotizada

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AOS QUE VIVEM COM PRESSA, STRESS E REFÉNS DA CAFEÍNA…

A realidade quase sempre é um caos. Trânsito congestionado, pessoas indo e vindo aceleradas e monitorando atentamente o relógio no pulso.

Não é muito difícil perceber que a sociedade hoje está programada, tudo segue um padrão imposto, desde a infância até a velhice. Como se ao nascermos o médico ativasse o botão “piloto automático” e em um passe de mágica, ou melhor, em um sistema configurado, tudo começasse a dançar conforme a música.

Os centros das cidades refletem este cenário, olhares se cruzam, mas não se enxergam; onde todos ouvem, mas ninguém assimila.

Crianças vão e vêm do colégio, jovens vêm e vão da faculdade, adultos vão e vêm do emprego, os idosos vêm e vão da padaria, do mercado, do médico, do banco, da fila do INSS.

Nos grandes centros, diversificadas vozes a reclamar se confundem e formam apenas ruídos. No meio de tanta poluição sonora provocada pelas buzinas inquietas, gritos, gargalhadas e sirenes, vejo como somos reféns de uma rotina estressante.

Somos todos robôs feitos de carne e ossos, programados conforme nossas tarefas, metas e horários.

Desde muito cedo, cada um de nós temos que começar a traçar nossas metas e objetivos. Lembra quando te perguntaram “o que você quer ser quando crescer?”, quando você ainda estava no 5º ano do Ensino Fundamental e não aceitaram como resposta “ser um super herói”, e ainda te aconselharam a ser um médico, advogado, engenheiro e ter uma carreira de sucesso.

E por incrível que pareça você teve que largar a idéia de ser um super herói e salvar o mundo para estudar e alcançar boas notas, estudar e alcançar boas notas, estudar e alcançar boas, estudar e alcançar boas notas, estudar e… Desse jeito mesmo, exaustivo.

Hoje tudo se resume em estudar, entrar em uma faculdade renomada, formar, ter um ótimo emprego, com um alto salário, casar, ter o carro do ano e ir vivendo refém do relógio e da cafeína.

Ninguém tem tempo livre, todos estão cansados com os ombros caídos e doloridos, sendo fuzilados por balas de monotonia.

Os brilhos dos olhos se apagaram, a excitação ficou perdida na esquina de casa, os amigos de afastaram, os casamentos se arrastam. São poucos os que ainda querem e tem ânimo para plantar uma árvore, fazer trabalho voluntário e viajar o mundo como desejavam quando crianças.

Nossos sonhos foram queimados, hoje apenas sobrevivemos na correria do dia a dia e só paramos para dar aquela respirada profunda e dizer para o atendente da padaria:

– Mais uma xícara de café, por favor!

Diante desse contexto caótico, o que mais desejo é ter o privilégio de acordar em um domingo e sair para correr ao ar livre. Sem trânsito, sem telefonemas, sem relógio, sem ruído.

Se você não estiver satisfeito com sua vida mude tudo de lugar, para no futuro não ser aquele que, com lágrimas nos olhos, canta o sucesso dos Titãs:

 “Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer…”

Proibido Estacionar

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Sempre haverá alguém ou situações que tentam nos impedir de prosseguir na perseguição de nossos sonhos, sejam eles profissionais, amorosos ou até algumas ideologias.

Mas, devemos lembrar sempre que é proibido estacionar na vida e por mais que tudo esteja difícil devemos seguir em frente. Nos arriscar, esticar nossos braços aonde não não possamos sentir, caminhar mesmo que não possamos ver o caminho seguro.

Não podemos parar correr atrás do que desejamos, mesmo que para isso seja preciso dar passos no escuro.

E, sempre que algo tentar te impedir de prosseguir ,não se abale, apenas se abra para a vida e se permita tomar decisões, mesmo que em um primeiro momento elas te pareçam incertas.

A vida é uma incógnita, e se ficarmos esperando certezas para fazermos algo nunca sairemos do lugar. Se arrisque, se jogue, tenha coragem e pulso firme para viver as incertezas do mundo e suas próprias incertezas internas.

Não estacione. Siga sempre adiante!

Inalcançável

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E por mais que a gente tente, algumas coisas são de fato inalcançáveis.

Em algum momento nos frustaremos, não há como alcançar tudo que desejamos, mesmo que depositemos muito esforço e dedicação para isso. Até porque empenho e desejo não resumem o que conseguiremos ou não realizar.

Quando nos depararmos com uma situação em que estamos depositando muito tempo da nossa vida para conquistar algo, devemos analisar se esse tempo investido não é na verdade desperdício. Pois, quando algo não vai bem não tem problema algum abrir mão e seguir em frente.

Não precisamos insistir incansavelmente em relacionamentos que não tem como dar certo, assim como não precisamos terminar um curso que não nos agrada mais.

Não somos obrigados a terminar livros ruins e nem continuar vivendo em um lugar que não nos satisfaz mais.

Não temos a obrigação de investir em coisas que não nos agrada, ou que não  dá certo nunca.

Dizem que quando algo está difícil devemos insistir e não abrir mão. Mas, essa não é uma verdade absoluta, pois se algo não está dando certo talvez seja porque de fato não é para acontecer

E não há problema algum em deixar algumas realizações pela metade, pois o que um dia nos encheu os olhos de orgulho e desejo, hoje pode ser a causa da nossa insonia.

Se suas ideias se mostram inalcançáveis, não perca tempo, mude de ideia. Mude as certezas de lugar do mesmo jeito que muda os móveis do seu quarto de posições. Faça novas combinações, encontre outras saídas, só não se prenda a coisas que no fundo voce sabe que não irão se realizar.

Verdades que me foram vendidas

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Durante toda nossa vida verdades nos são vendidas, sobre como se portar, sobre o que dizer, sobre o que usar, até sobre o que comer.

Comigo não é diferente, lembro de me dizerem quando eu ainda era uma criança: – ao sentar cruze suas pernas, não sente-se de qualquer jeito.  Quando diziam isso eu até me corrigia e comprava a verdade que me vendiam, sobre como uma menina deveria sentar-se, mas eu gostava mesmo era de sentar-me sobre meus pés e desde que percebi isso passei a ignorá-los.

A ideia de se usar sutiãs quase sempre, pôs no mercado uma diversidade desses, com bojo, sem bojo, com alça ou sem alça, com abertura na frente ou atrás, variadas cores e estampas, com renda ou sem renda… uma infinidade de modelos – mas na verdade nem gosto de usá-los prefiro ficar livre, não vejo muito problema.

Muitas moças devem ter em seus quartos um amontoado de maquiagens ou produtos relacionados a elas, bacana pra quem gosta, mas eu nem ligo por isso quase nada tenho.

Nem tudo que é comum deve ser seguido, nem todas as verdades são inquestionáveis e irretratáveis. Não é preciso comprar tudo que se está a venda.

Todo o tempo somos tentados a entrar em um cubículo de verdades absolutas, mas acalme-se, voce não precisa se encaixar em lugar algum. O que é a vida senão as escolhas que fazemos? Então, faça o que julga certo e não se preocupe com as regras sociais.

Descobri que eu sou minha própria bussola…

E de todas as verdades que foram vendidas sabe qual eu comprei? A Minha! De fato, nem comprei, apenas as assumi.

Minha necessidade

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Ninguém entendeu minha repentina partida, peço desculpas, mas eu não poderia mais ficar entre eles. Precisava de espaço, precisava de equilíbrio.

Com meus vinte e poucos anos percebi que não era feliz, e tudo que eu vivia era por obrigação e/ou comodismo, não me sentia inteira em nada, nem no meu trabalho e muito menos em relacionamentos. Algo sempre me atormentava.

Uma voz começou então a me questionar, ela gritava coisas que eu não queria ouvir, era desconfortável.

Essa voz era meu próprio eu que estava submerso, mas que não poderia mais se calar em meio a realidade conflituosa em que eu vivia.

  • Porque escolheu esse ofício?
  • Porque trabalha em algo que não lhe causa prazer?
  • Porque mantém amizades que você sabe que não são seus amigos de verdade?
  • Por que não faz aquilo que quer realmente fazer?
  • Por que se tornou essa farsa?
  • Porque se embriaga a cada vez que te questiono sobre suas escolhas?

Percebi que eu precisava afastar-me da minha antiga vida para me reconhecer, descobrir minhas vontades, meus prazeres.

Dei as costas para minha família, meus amigos, minha profissão, minha rotina, a tudo que eu construir para ouvir uma voz, para ouvir meu interior. Não tive muita escolha, era minha necessidade naquele momento.

Disse não a um amor, por total incapacidade de sustentar esse sentimento, não era o momento de viver um amor, mas sim de me buscar, me achar em meio ao meu caos. Até porque a gente vive sem amar outra pessoa, mas viver sem amar a nós mesmos é uma espécie de morte lenta.

Sem me despedir mudei a roupa da minha vida e fui buscar nova vestimenta, mas dessa vez de acordo com o meu tamanho, de acordo com a  minha visão de mundo e do que realmente é viver.

Aos que eu deixei para trás só quero dizer que eu os trouxe no meu coração, mas aí não era meu lugar, e se eu permanecesse com vocês nunca estaria inteira, e sei que viver de metades não é ser alguém de fato e nem ser boa companhia.

Quero dizer que estou bem, descobrindo minhas paixões e aprendendo a caminhar sozinha, talvez um dia eu volte, mas só para uma visita. Por que descobrir que gosto é de colocar o pé na estrada, conhecer novos lugares, novas histórias e pessoas.

E por mais que eu tentasse, hoje eu não conseguiria mais ter uma vida que me pedisse rotina e certezas. Pois, a cada novo dia que nasce eu sei que renasce junto as possibilidades que viver sem endereço fixo pode me proporcionar.

Uma viagem pelo interior

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Como já proclama Manuel Bandeira:

  • “Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.”

Não sei ao certo, mas parece-me que estamos esquecendo a simplicidade, como se esta fosse demonstrativo de fraqueza ou menos poderio.

Antes as viagens de trem rumo ao interior eram abarrotadas de pessoas que viviam na capital, mas que sempre voltavam para o interior para rever suas famílias. Hoje os aviões estão abarrotados de gente indo em rumo aos grandes centros.

Talvez o interior hoje seja visto como um lugar para se buscar refúgio quando as grandes cidades elevam nossos estresse, embora as cidadezinhas tenham muito mais a nos ensinar. Elas ainda guardam e cultivam a simplicidade, algo que anda muito esquecido em nosso cotidiano conturbado.

Realmente acho que as pessoas deveriam viajar mais pelo interior, mas não só para fugir do caos, mas para ver como a simplicidade é encantadora e traz paz de espírito.

Nada supera a sensação de liberdade de andar com os pés na terra, de ver roupa estendida no quintal, do tilintar dos sinos da igreja, de crianças correndo e animais soltos pela rua.

Se eu pudesse nomear uma música como a exteriorização da simplicidade seria, sem dúvidas, “Felicidade” de Marcelo Jeneci.

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O clip da música foi filmado em Julho de 2011 em Sairé – PE – Brasil, e remete a felicidade de ser simples.

Marcelo Jeneci e Laura Lavieri levaram a música para o meio do cotidiano das pessoas, onde a felicidade da canção se casou perfeitamente com o dia a dia simples dos moradores de Sairé.

Quão rico é esse clip, e quanto tem a nos ensinar sobre ser leve e feliz, quanto menos temos mais largo e sincero é o nosso riso.

E como a própria música diz:
“…Você vai rir, sem perceber
Felicidade é só questão de ser
Quando chover, deixar molhar
Pra receber o sol quando voltar…”