Los Muertos

Dia das saudades que tem nomes.
Dia dos que se foram, mas deixaram muitos por ai os carregando.

Dia onde o legado se torna dos que restaram,
dia esse os dos finados.

Dia de quando a mãe vai ao cemitério deixar uma flor para seu filho,
se nenhum pai deveria passar por isso, imagine uma mãe então.

Dia dos mortos que queríamos tanto que estivessem vivos,
mas muitos deles morreram sem saber que tinham aqui nesse mundo,
tanto carinho.

Dia dos que não verei mais, não falarei mais, não abraçarei mais, nunca mais.
Dia que o céu fica cinza, nublado e mais frio.

Dia que à vida desmorona um bocado mais.
Nesse dia o aperto no coração é com as duas mãos e o nó na garganta sufoca os soluços que damos sem querer.

Dia dos mortos que se foram sem deixar recado, sem terem noticiado ou sem terem o tempo de ter avisado.

 

 

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Nada vai me derrubar

Já diria Rock Balboa, não é sobre o quanto você bate, e sim sobre o quanto você aguenta apanhar e seguir em frente.

É assim que se vence, não é mesmo?

Mas eu to em um impasse filha da puta, entre conseguir ânimo para seguir em frente e ou desistir de tudo.

Basicamente está acontecendo esse diálogo entre eu e minha mente:

Eu: não desista, o dia que você vai se acostumar a tomar insulina e se furar pra caralho vai chegar.

Minha mente: Você não vai, foda-se essa porra toda!

Eu: não desista, você vai encontrar uma maneira de lidar com isso.

Minha mente: você tá todo fodido, só vai piorar para caralho.

Eu: não desista, seus animais de estimação te amam muito para te perder.

Minha mente: alguém cuida deles, foda-se você!

Eu: não desista, você vai conseguir realizar todos seus sonhos.

Minha mente: que sonhos?

Eu: não desista, você é importante, capaz e pode fazer muita coisa boa no mundo.

Minha mente: você é um lixo.

Apesar de toda essa confusão, o maior questionamento é será que eu vou conseguir sorrir com o coração chorando?

Sorrir de verdade, sem preocupação, espontâneo e não aquele sorriso borrado e sem significado que me acostumei a dar.

I Refuse to sink

Sempre achei que com o tempo as coisas só tendem a piorar, mas nunca achei que piorariam tanto.

Mas descobri que o fundo do poço não é o limite, sempre da pra se afundar mais.

Para entenderem o contexto, em um dia estava comendo um burgão, no outro tomando soro e insulina, e duas semanas depois diagnosticado com diabetes tipo 1.

A vida meio que disse assim; TOMA ESSES LIMÕES AZEDOS.

E agora faz deles o mais próximo de uma limonada doce!

Mas opa pera ai vida, como você é uma filha da puta irônica do caralho, a limonada não pode ser doce não, se não eu morro! Hahahahahahahha

Ela com certeza responderia; Foda-se, taca adoçante nela! ( eu e meus devaneios ).

Mas enfim, tirando a ironia da vida, que me faz rir até mesmo quando to todo fodido, viram como é impressionante o quanto as coisas mudam de repente?

É disso que quero falar nesse texto.

Se é preciso mudar, eu vou mudar. 
Isto está claro, a vida é feita de recomeços!

Só que tudo vai ser muito diferente a partir de agora, e não por uma escolha minha, e sim por questão de saúde, pois agora eu me furo 3 vezes por dia, e olha só, eu aprendi que o teste que faço se chama dextro e ele serve para ver meus níveis de glicemia em tempos diferentes do meu dia e assim saber a dosagem de insulina que preciso aplicar de jejum e antes de dormir.

Se você não sabe o que é isso, ou do que to falando, eu era você a uns dias atrás. É isso mesmo eu não sabia disso até poucos dias atrás, mas agora tudo na minha vida está sendo sobre isso, pois toda hora é um tal de fura os dedos, fura os braços, hematomas aqui e ali, a fura a barriga também, as coxas, fura, fura e fura!!!!

E algumas pessoas tiveram a pachorra de me falar; não é o fim do mundo!

Discordo totalmente.

É o fim do meu antigo mundo, e tem um totalmente novo surgindo.

Tudo absolutamente novo, e vai ser meu novo mundo a partir de agora, para o resto da minha vida, independente de quanto tempo ela durar.

Mas como disse, eu sei que a vida é feita de recomeços. E já passei por alguns recomeços bem difíceis, esse com certeza é drástico, mas me recuso a afundar, apesar de estar me afundando, estou persistindo.

Tô indo em frente com medo, com cagaço, com receio, to tentando apesar do desanimo, da tristeza, da vontade de tacar o foda-se, mas sabe aquela frase bullshit; um dia de cada vez, um furo de cada vez. ( tá tá, eu inventei o furo de cada vez agora, para dar contexto )mas é real!

Alguns poucos bons amigos estão me ajudando um pouco, mas tantos outros falam coisas que eu sei que a intenção deles é boa, mas não funciona assim como eles acham que funciona, eles não tão passando por isso, eles tem um familiar que tem, eles por terem visto um pai, uma mãe, uma avó, uma tia com a doença, acham que sabem o que é passar por ela, mas estão esquecendo que eu a tenho, eu tô passando por isso, eu sei como é, eu to sentindo a cada dor no corpo, a cada pico de glicemia, ou quando ela abaixa de uma vez, quando fico totalmente indisposto e desnorteado por que o bagulho tá totalmente descontrolado ainda.

Eu sei exatamente como é passar por isso, pois eu estou passando por isso, e não, não é fácil.

Mas estou procurando pessoas que passam por isso a anos para me ajudarem, que tem experiência, que sabem perceber os sintomas, que estudam medicina para que me expliquem diversas coisas que eu desconhecia até então, pois sou totalmente leigo no assunto.

Eu ainda estou aprendendo e tenho essa humildade e vontade de aprender cada vez mais sobre isso para melhorar, e quem sabe um dia eu possa ajudar outras pessoas como estou sendo ajudado, por que se não fosse essas pessoas eu estaria ainda mais perdido do que estou, por que eu estaria sozinho.

E nesse momento tudo que eu não queria era estar sozinho.

Nunca esquecerei quem está me ajudando nessa fase difícil, pois é difícil para caralho, e esse texto é um desabafo mesmo, eu o escrevi para tirar do peito toda essa confusão de sentimentos que estou sentindo e espero que daqui uns anos, ao reler tudo isso, poder bater no peito e falar; diabetes tipo 1 é o caralho, consegui recomeçar e me reconstruir mais uma vez.

A intenção era perfeita, mas eu me senti avulso

Lembro que às vezes eu queria só chegar em casa depois da escola, sintonizar no canal do meu desenho favorito, e passar horas assistindo, depois ir para rua brincar, jogar bola, rodar pião, matar umas bolinhas de gude e encher minhas garrafas de 2 litros de refrigerantes com elas, depois era brincar de pega pega, esconde esconde, só então chegar em casa a noite e deitar sem preocupação.

Agora, às vezes eu queria só poder sentar em uma mesa de bar, pedir um litrão de uma cerveja que gosto e ter um ou dois bons amigos para conversar. E ficar lá, horas e horas chapando, filosofando sobre como a vida é, como as coisas são, aquele papo de bêbado que começa a brisar sobre a vida. Sentir aquelas gargalhadas de piadas que provavelmente só funcionam naquele contexto, naquele momento e situação.

Basicamente se tornar adulto é a maior furada, a intenção é boa, mas o máximo que acontece, é você se sentir avulso, pois você só se fode.

O mundo começa te dar mais perguntas do que respostas.

Você começa perceber que os boletos tão chegando.

E agora precisa resolver seus b.o, e nota que alguns deles é você que cria.

 

 

Dois desconhecidos

Eu vi ela dançar, e houve uma troca de olhar, e por alguns instantes tudo que eu queria era lhe beijar.

E como na confusão astral de pedro salomão, no momento que a senti, eu me desliguei de tudo que eu era, então por um momento, toda a festa se tornou apenas nós dois.

Naquela noite, como se o mundo ainda fosse bom, eu ouvia os gemidos dela pedindo mais.

Entre bebidas, sexo e drogas, nossos corpos foram se tornando um só, seu olhar denunciava o tesão, o cheiro no ar denunciava a sacanagem e seus gemidos o prazer.

O calor dela, preenchia o meu vazio mais profundo, a pele dela me dava arrepios, nossos corpos se conectaram, e eu queria foder mais, mais e mais. E o melhor; ela pedia mais.

Algumas horas se passaram, e a incrível transa, foi se tornando o pós sexo, descobri seu nome então, descobri que ela tinha um sonho de ser cantora, e o dia amanheceu, não lembro muito mais que isso, a festa chegava ao final, e nós também.

Talvez eu a encontre por ai um dia, talvez não, mas sempre vou lembrar dessa noite, onde dois desconhecidos conseguiram preencher o vazio por algumas horas.

 

Feliz aniversário de 25 anos

Estou completando 25 anos, e tem pelo menos 12 que eu não vejo mais nenhum sentido nas coisas, que não me sinto mais vivo.

E foram bons anos abusando de tantas coisas para fugir da realidade, mas descobri recentemente que saúde é uma dívida que não podemos cancelar, uma hora ou outra o corpo cobra, e não importa se você está ou não disposto a pagar.

A vida é assim, quando menos esperamos acontece uma merda e não adianta chorar, nem ficar triste, não importa na verdade, pois você só tem duas opções quando a vida vem e te cobra todos os anos de descuido; correr atrás do prejuízo, se ainda der tempo ou continuar se sentindo doente.

E claramente ninguém quer se sentir doente, fazemos o possível para melhorar.

Nas últimas semanas aconteceram coisas que me empurraram para o fundo do poço, e quando achei que não podia piorar, a vida me mostrou o fanfarrão que sou, e cobrou no momento menos oportuno todos os meus anos de farra, e desde então estou doente, me sentindo esquisito, correndo atrás de saber o que é, com os braços cheios de hematomas.

E ontem, um dia antes do meu aniversário, saiu o resultado dos exames, e sim, ganhei como presente a confirmação; sou diabético.

Estou ficando com hiperglicemia, faz muitas semanas, e nem minha alimentação está ajudando mais, então provavelmente muitos remédios vem por ai.

Proxima parada endocrino.

Meu novo mundo inicia agora, aos 25 anos, tô novo ainda, sei disso, mas agora a tendencia é só piorar, idade tá chegando, a vida tá cobrando, e eu vou tentar cuidar de pagar essa divida que estou devendo a mim mesmo a alguns anos.

Nesses dias

Às vezes quero escrever, mas nesses dias eu não consigo mais.

Às vezes quero sorrir, mas nesses dias eu não consigo mais.

Às vezes quero dormir, mas nesses dias eu não consigo mais.

Às vezes quero trabalhar, mas nesses dias eu não consigo mais.

Às vezes quero falar sobre, mas nesses dias eu não consigo mais.

Às vezes quero que tudo isso passe, mas nesses dias já sei que não vai passar.

Às vezes quero que tudo fosse apenas um pesadelo, mas nesses dias compreendo que estou acordado.

Às vezes quero só minha garrafa para esvazia-la em um gole atrás do outro, mas em um desses dias eu acordei sóbrio.

Às vezes quero só uma boca para beijar, outras vezes alguma mulher para transar, e se elas querem só isso também, é melhor para ambos, pois preenchemos nossos vazios um no outro, mas em um desses dias, eu descobri que nem sempre é isso que elas querem ou que eu quero.

Descobri que às vezes o que quero é apenas estar bem comigo, mesmo sem saber como é essa sensação, mas acredito que deve ser muito boa, pois todos gurus falam bem, e  fora que vejo as pessoas felizes por ai, ou ao menos sorrindo, como se não houvessem problemas, como se o mundo fosse tão bom quanto parece ser e fico pensando por qual motivo ele não é?

E às vezes penso que o problema sou eu, outras vezes eu não tenho certeza absoluta disso, mas nesses dias, somente nesses dias, eu realmente sei, eu sei que sou eu, que és minha mente, que sou o que sou, que chego ao ápice de mim mesmo nesses dias, e só então percebo o chão sumir sob meus pés e tudo que resta, é aquilo que eu mais queria esquecer.

Aquele dia cinza, aquela noite no hospital ou aquela despedida. Três vezes aconteceram, e por tempo demais, impedi que houvessem outras, pois percebi que a vida é isso, é uma grande perda de tudo que amamos.

Desde então somente nesses dias, eu sei o que é se sentir realmente vazio, que nesses dias posso entender o quão na merda um ser humano consegue chegar, o quão perdido alguém pode estar, em como tudo pode parecer insignificante e nada parece ser importante. Sim… somente nesses dias eu tenho medo de como serão todos os outros dias da minha vida.

Por quê nesses dias, eu sou o meu pior lado, eu sou o meu quarto escuro, sou minha mente que não para de pensar e me impede de dormir, sou a insonia que nunca passa, sou o álcool que me faz esquecer de eu mesmo no dia anterior, ou o gosto da nicotina na boca depois do sexo, pior… eu sou o garotinho que perdeu o irmão, o adolescente que perdeu o pai, sou o adulto que pode tudo, mas não sente mais nada. Eu sou somente o lado que ninguém nunca vê, pois nesses dias, eu sou o que somente eu sei que sempre está lá, mas  geralmente consigo esconder através de sorrisos borrados ou piadas ruins.

Mas nesses dias não, nesses dias eu não escondo nada. Eu sou o cara mais perdido do mundo, o mais frustrado, o mais inconsciente possível, não quero saber quem sou eu, quero outra realidade, mas não posso fugir dessa nesses dias e no meio de toda essa confusão, eu continuo tendo que seguir, mesmo não sabendo como, ou para onde devo ir, ou porque, ou se deveria ou não parar e desistir, mesmo não sabendo a resposta para nenhuma dessas questões, eu continuo, eu persisto e insisto.

E se me perguntarem, eu não sei o motivo, eu só continuo sobrevivendo, sabe aquele lance; um dia depois do outro.

Mas eu quero que pare, eu quero que tudo melhore, acredite, eu quero muito, mas eu duvido que vá melhorar, porque em um desses dias eu me vi, e olha, não foi bonito de se ver, eu não me reconheci, e o pior nem é isso, o pior é saber que era eu sim, e na verdade não era, sou eu na verdade.