“é no tempo da tristeza que nos deparamos com o eu feio que tentamos esconder”

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Não Julgue

não julgue a lágrima derramada

você não sabe o que a fez cair

nem julgue a tatuagem no peito

você não sabe que tipo de cicatriz esconde

 

não julgue o batom vermelho

nem sempre prostitutas usam vermelho

não aponte seu dedo para o discurso do outro

afinal, você conhece seu mundo, o dele não

 

cuidado ao medir a inteligência alheia

existem diferentes tipos de inteligência

e as vezes, a sua inteligência é muito inferior

à qual você julga.

 

pare de reparar nas gargalhadas espalhafatosas

as vezes elas escondem dores sem par

e não diga que com você é diferente

você também tem tristezas… a vida não é facebook

 

será que o neguinho que se matou vai pro inferno?

creio que sua pergunta deveria ser:

o que faço com o inferno de vida que vivo…

e em relação ao morto, mais produtivo é abraçar seus parentes

 

pare de julgar o livro pela capa….

afinal, sua capa nem sempre é bonita

e nem sempre as pessoas tem vontade de ler você

para de julgar

 

qual é a graça de julgar o alheio segundo suas leis?

não conheço ninguém que seja pago para isso

também não conheço ninguém

que se beneficiou por ser julgado.

 

bom é cuidar de si mesmo

ninguém pode fazer isso por você

também não é responsabilidade de ninguém

buscar sua felicidade por você

 

feliz é aquele que tem nas mãos flores

ao invés de martelos

que se perfuma com suas próprias histórias

e não se cansa de viver primeiramente para si.

 

 

 

Destrua meu coração

Destrua meu coração

E o jogue ao mar pequeno

Faça decentemente a partilha de meus bens.

Encontre no doce gosto da diferença

Várias maneiras de me fazer bem

Encoste em meu peito e não desfaleça

Destrua meu coração

Depois me leve ao parque

E de maneira singela me faça crer

Que o sol e a lua suspiram meu nome

Na doce neblina do ser ou não ser

Parece até que tô matando aos poucos

Fazendo bizarrices com meu psicológico

Vivendo hoje pra sofrer mais um pouco

As tuas loucuras nos recantos astrológicos

Me tira a roupa novamente

E faz comigo sexo ardente

Deixando meu corpo cansado no solo

Esperando que me cubras com peles e pólen

E nessa espera, me sinto sozinha

Chorando a carência do meu corpo frio

Que há pouco era quente, mas agora está morto,

Deitado no solo, com o coração destruído.

Destrua-me com tua ausência

Quê se faz presente depois que me usas

Clamando por um pouco mais de tua presença

Tão mais presente nas casas fúnebres.

Sabendo que amas a morte

Morro em teu orgasmo

Pra que assim me sinta menos só

Nesse chão gelado

Com o coração dilacerado.

Muito Romântica

Não me diga que não falei de flores

Falei no dia em que nos conhecemos

Falei também das dores da alma

E de como elas se curam  com teu alento.

 

Foram dias de sol quente e corpo fervendo

Lembrando dos beijos em copos vazios

Esvaziados por desejos ardentes

Sedentos de mais fogo pra preencher o seu frio

 

Te falei de flores enquanto olhava teus olhos

Tocava tuas mãos e ensinava coisas fúteis

Sobre como o sol se põe, como as nuvens se movem

Sobre como preciso de um norte

 

Falei de gardênias, rosas, manacás

Falei dos cravos e das mesclas florais

Num dia de verão despretensioso

também falei que precisava de alguém para amar

 

Num dia de verão te pedi em casamento

e neste mesmo dia, ouvi da tua boca os lamentos

mil motivos para negar o pedido

mais que isso, vi em teus olhos um medo perdido

 

Mas no meu abraço te envolvi calmamente

te falei que flores nascem e morrem

é o ciclo vigente

e depois que morrem outras nascem novamente

 

Assim é o amor,

que nasce e morre de tempos em  tempos

fazendo com que nosso coração constantemente se esquente

bata mais forte, seja feliz reviva

 

E de ciclo em ciclo, fazer com que nossa alma evolua

então, o que temer, o amor morre, mas volta a nascer?

Negócio é tratar a ferida e se arrumar para o próximo

encontrar o coração lindinho, cheiroso como flor

 

é pra isso que servem as flores

para mostrar que primaveras vão e verões vem

e o ciclo se renova…

e infeliz é aquele que rejeita a felicidade porque alguém um dia magoou.

 

 

 

 

 

Não Me Obrigue

Não me obrigue a ver o mundo com seus olhos

Nem a caminhar meus caminhos com teus sapatos

Não me obrigue a pintar meu mundo com tuas cores

Nem a preencher meu vazio com teus espaços

 

Não me chame de intransigente

só porque não quero ser gente como você

porque tenho muito trabalho para ser quem sou

… e isso é tudo  o que preciso pra ser feliz

 

Não me prenda na sua caixinha

Não me vista com seu estilo

Não me toque com sua boca

Nem me molhe com seu suor frio

 

O mundo tá muito chato

Não porque tem mais gente reclamando

Mas porque o esforço conjunto

é pra me libertar de mim,

pra me prender no mundo do outro.

 

Não sou obrigada, não sou obrigada a nada

E justamente por não ser obrigada

Me obrigo a buscar minha liberdade

Porque se eu bobear, até ela me é roubada

 

Medos

Eis que estamos em tempos de Medos:
Medo de Matar
Medo de Morrer
Medo de Sofrer
Medo de Esquecer
Medo de Enlouquecer
Medo de deixar de amar
Medo de Não poder amar
Medo de Respirar
Medo de Perder
Direitos
Conceitos
Bases
Lares
E por causa de tanto medo,
guerreamos nossas convicções e
nos esquecemos que o faz com que não
pereçamos é a união no amor que não
compreendemos…
E é só o amor que lança fora todo medo.

IDÓLATRAS ÚTEIS

Tenho acompanhado as postagens de campanha política pelas redes sociais e também conversado com algumas pessoas sobre o assunto e cheguei a uma conclusão: Essa é a campanha dos idólatras úteis.
Depois de algumas décadas, temos um certo “equilíbrio” das partes políticas, pois temos um “ídolo” da esquerda e um “ídolo” da direita.
Os discursos de defesa desses são iguais: são honestos, injustiçados e só pensam no povo.
Os discursos de ataque ao inimigo também são iguais: são homofóbicos, machistas, mal educados, despreparados… e por aí vai.
As militâncias também utilizam o mesmo discurso de ataque: a outra parte sempre é: ignorante, mal informada, só pensam em seus interesses, são alienadas, cegas… ambas são fascistas, reacionárias e não amam seu país.
Se observarmos friamente, essas eleições está sendo, praticamente ” uma guerra satânica”, aonde os dois lados lutam por demônios… isso segundo a visão de seu oponente.
Nessa disputa está valendo: ofender, negar valores morais, desfazer amizades de anos, e proclamar discursos de ódio… tudo isso regado às incoerências que vão de: “liberem armas para diminuir a violência” à “liberem o aborto, mas não permitam a pena de morte”…. paradoxos das bandeiras ideológicas.
Ao final das contas, nenhum dos lados está se atentando para um fato crucial: As eleições passarão e, dado o andar da carruagem, amargaremos um regime totalitário, independente do lado que vencer… quer direita ou esquerda… então, a pior coisa é se fazer inimigos nesses tempos.
Vejam que em breve, esquerdistas e direitistas precisarão do máximo de amizades e aliados possível, porque os tempos são tenebrosos e nesses tempos, inimigos são sempre um péssimo negócio.
Então. Grite o que quiser, mas não machuque seu oponente… pode ser que amanhã, você precise dele e se ele estiver machucado, não terá forças para te ajudar…

E viva a nação dos idólatras úteis.!!!!

(By Edna Adão)