Lady Bird: A Hora de Voar

Em Lady Bird vemos a história de Christine, uma garota que está se descobrindo na vida, em sua fase mais conturbada; a adolescência.

A maneira que Greta Gerwig, diretora do filme retrata a história da jovem em sacramento, é demais. E uma curiosidade é que greta é de sacramento. Outra coisa que chama a atenção no filme é que desde à fotografia até o roteiro, se mostrou totalmente despretensioso, sabe, quebrando as expectativas e aqueles estereótipos da figura feminina, aqui vemos como todos nós passamos por questionamentos na vida da mesma maneira, desde na nossa personalidade, ideais até sobre o que fazer da vida depois que terminar o colégio.

Mas Lady Bird não é só sobre essas descobertas, diz muito de como nós nos relacionamos uns com outros, sobre as expectativas que temos uns dos outros e de que as vezes mesmo amando uns aos outros falta dialogo, empatia, falta estarmos realmente ali uns para os outros. É possível perceber isso em algumas sequências do filme onde, Lady descobre que seu pai tem depressão a anos e ela não sabia disso, ou quando sua mãe fala para ela que a ama, e quando é questionada se além de amar gosta da filha e, ela fica sem respostas.

A relação entre mãe e filha é realmente espantosa, vemos as duas alterando entre cúmplices e rivais o tempo todo. É viceral, tão natural que em alguns momentos nos sentimos tão imersos ao ponto de sentir a tensão delas duas. Em um momento estão conversando e então basta uma delas soltar uma palavra errada e vira aquela explosão de sentimentos, brigas e discussões.

Acredito que muitas pessoas irão se identificar com esse tipo de atitude, com esse tipo de acontecimentos que foram ocorrendo na vida da Christine e, se sentirão até nostálgicas, pois o que ela passa, muitas e muitas pessoas passaram e vão passar, mesmo que no final o destino tenha sido diferente para cada um.

Lady Bird não é um filme sobre reviravoltas e plot, mas sim um filme feito para provocar identificação e reflexão sobre a vida.
E sem dúvidas o ponto forte é atuação absurdamente incrível da Saoirse Ronan.

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Pantera negra

Wakanda Forever

Como fazer um filme sobre um herói negro e, mostrar a cultura africana de uma maneira nunca vista, com um elenco foda para caralho? Com uma trilha sonora de arrepiar. Com uma fotografia linda, em um filme blockbuster.

Pantera negra chegou para nós mostrar como se fazer isso, de maneira magnifica.

Realmente é um filme que a Marvel nós trouxe a muitas informações, um universo totalmente novo: Wakanda, se conectando ao universo que já conhecemos e fazendo de suas 2:20h de duração serem pouco. Mas não que isso prejudicou o filme de alguma maneira. Pelo contrario, queremos uma continuação e merecemos ela, pois o Black Panther é demais.

Com uma avaliação de 98% o filme bateu mais um recorde e se tornou o filme mais bem avaliado do Universo Cinematográfico da Marvel no Rotten Tomatoes.

Na trama, T´Challa, interpretado por Chadwick Boseman é o novo Rei de Wakanda, após a morte de seu pai que pudemos acompanhar em Guerra Civil. Ele retorna para seu lar, a nação Africana isolada e extremamente tecnológica (sim, é muito impressionante), para assumir o trono e suceder seu lugar por direito como o Rei.

O filme tem roteiro e direção de Ryan Coogler e trama foi muito elogiada por seu vilão excepcional, com motivações reais e emocionais, e pelas incríveis cenas de ação. Em uma entrevista Michael B. Jordan contou que o filme nacional cidade de deus, o inspirou para fazer o papel do vilão Killmonger.

A produção também é dita como a que possui o maior viés político, inaugurando uma nova fase para o universo compartilhado da marvel.

Eu particularmente sai do cinema com a sensação de que vi uma aula de como fazer a representatividade ser natural, como deveria ser.

Uma aula de humanidade.

Sendo assim, realmente recomendo a todo mundo; assistam.

Rebobinando meus filmes de 2017

Segundo meu letterboxd assisti 68 filmes no ano passado, alguns deles muito bons e outros horríveis e hoje deixarei a lista deles aqui, alguns filmes são antigos, mas só tive a oportunidade de assistir nesse ano que passou.

Vamos lá.

Os filmes que resenhei foram esses abaixo, então se quiser saber mais sobre eles basta clicar no link.

Moonlight

Arrival

Fences

Hidden Figures

Manchester by the Sea

Lion

Hacksaw Ridge

Hell or High Water

Logan

Split

Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales

It

Spider-Man: Homecoming

( esse dois a baixo não foi eu, mas tem uma crítica no blog )

1922

Gerald’s Game

 

Os demais foram, que ainda não resenhei (alguns eu talvez ainda resenhe):

The Great Wall

Pulp Fiction

The Shawshank Redemption

Fight Club

Doctor Strange

Train to Busan

A Clockwork Orange

Os Penetras 2: Quem Dá Mais?

Resident Evil: The Final Chapter

Forrest Gump

Jack Reacher: Never Go Back

Kong: Skull Island

Guardians of the Galaxy

Frank & Lola

Assassin’s Creed

Rise of the Planet of the Apes

Dawn of the Planet of the Apes

No Country for Old Men

Gostosas, Lindas e Sexies

Unbreakable

Mercury Plains

The Light Between Oceans

Internet – O Filme

The Fate of the Furious

Guardians of the Galaxy Vol. 2

Patriots Day

King Arthur: Legend of the Sword

The Girl on the Train

Real – O Plano por Trás da História

Children of Men

Little Miss Sunshine

Braveheart

Get Out

The Mummy

Wonder Woman

American Beauty

John Wick: Chapter 2

Identity

Annabelle: Creation

The Lost City of Z

The Hitman’s Bodyguard

Kingsman: The Golden Circle

The Meyerowitz Stories (New and Selected)

The Babysitter

Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola

Justice League

Viking

Bright

Dunkirk

Como se tornar o pior aluno da escola

Danilo Gentili me fez relembrar a época da escola, e que época boa era aquela.
Apesar de no filme ser uma escola particular onde os garotos são tudo leite com pera, como é dito no filme: na sala de aula sempre tem aqueles esteriótipos de aluno, o gordinho, o cdf e por ai vai.

É uma comedia muito boa e Gentili realmente quis deixar claro com suas criticas ao decorrer do filme que sua vida não depende de uma nota, que seu sucesso não depende de tirar aquele 10, ele mostra isso no inicio do filme mostrando Albert Einstein sendo repreendido quando garoto na escola, sendo que anos depois aquele mesmo menino se tornaria homem e um gênio, ganhador de nobel de física e tudo mais.

Na época em que eu estudava pensava o mesmo, enquanto os meus colegas de turma endoidavam para tirar notas e manter as médias azuis, e na maioria das vezes se acharem mais inteligentes do que eu por conta de um ponto a mais ou menos, eu estudava o necessário e passava de série, mas quando conversávamos sobre as coisas, eu via a dificuldade de muitos por manter um raciocínio, por pensarem por si  ou questionarem algo.

Eles simplesmente decoravam tudo, só para tirar nota. Só pelo 10 e depois ?? esqueciam tudo.

Por muitos anos nem estudei e era realmente o pior aluno da escola, mas cresci e comecei estudar realmente o que gostava que era programação e hoje em dia trabalho com o que amo, muitos daqueles que tiravam notas azuis e zombavam sobre meu futuro, sejam eles meus professores e ou colegas, nunca imaginariam que eu seria tão bom no que faço.

Mas como Danilo diz tantas vezes no filme, eu consegui seus CABAÇOS!

 

Trainspotting

Escolha viver.
Escolha um emprego.
Escolha uma carreira.
Escolha uma família.
Escolha uma televisão enorme.
Escolha lavadoras de roupa, carros, CD players e abridores de latas elétricos.
Escolha boa saúde, colesterol baixo e plano dentário.
Escolha uma hipoteca a juros fixos.
Escolha sua primeira casa.
Escolha seus amigos.
Escolha roupas esporte e malas combinando.
Escolha um terno numa variedade de tecidos.
Escolha fazer consertos em casa e pensar na vida domingo de manhã.
Escolha sentar-se no sofá e ficar vendo game shows chatos na TV enfiando porcaria na sua boca.
Escolha apodrecer no final, beber num lar que envergonha os filhos egoístas que pôs no mundo para substituí-lo.

Escolha o seu futuro.

Escolha viver.

– Trainspotting

Mil novecentos e noventa e seis meus amigos, conte ai quantos anos fazem, desde que essa introdução acima foi dita por Mark Renton interpretado pelo jovem Ewan McGregor, e sentimos o peso de suas palavras reverberarem até os dias atuais, não é mesmo ?

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Trainspotting é um filme britânico, fugimos da realidade Hollywoodiana nesse filme e entramos no amago do gênero drama, dirigido por Danny Boyle o filme é uma obra prima que foi feita para perpetuar pela história conforme o tempo passe.

Na história Mark Renton tem amigos estranhos: um psicopata alcoólatra, um desesperado, um fã de Sean Connery mulherengo e um viajante. Todos buscam superar o desemprego, os relacionamentos e as drogas, muitas e muitas drogas.

Eu escolhi não escolher a vida, eu escolhi outra coisa.

E as razões?

Não há nenhuma razão.

Stranger Thing, 2 Temporada – Crítica

Os irmãos Duffer tiveram o maior desafio de sua carreira até agora, responder questões abertas, iniciar novas tramas e saciar a necessidade nostálgica dos amantes de Stranger Things.

Depois da repercussão gigantesca da série no ano passado, era notável que uma pressão gigantesca estava sobre os criadores da série. O segundo ano deveria ter os mesmos detalhes que deixaram os espectadores grudados na frente da tv, e ainda os saciar com novas tramas. Depois de 9h maratonando a segunda temporada, a conclusão que cheguei é que eles conseguiram levar a série para um novo patamar.

Diferente do ano anterior em que a maioria das cenas eram construídas em grupo, ou seja, todos os personagens estavam sempre interagindo e na maior parte do tempo todos tinham o mesmo nível de conhecimento, no novo ano temos subtramas bem desenvolvidas, que levam cada personagem em uma jornada de descobertas.

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(Foto: Reprodução)

O Roteiro é extremamente rápido, as cenas são bem construídas, as subtramas apresentadas, tudo é introduzido rapidamente, entretanto, os diretores deixam tempo para esmiuçar as características de cada personagem, e as mudanças que os norteiam.

É notável que os diretores têm um certo senso de urgência em transmitir para o telespectador que as crianças estão crescendo, que a adolescência está chegando, e principalmente, que elas evoluíram no espaço de um ano, e essas demonstração está expressa em trechos de diálogos logo no início do primeiro episódio. Dustin (Gaten Matarazzo) xingando em diversos momentos, Mike (Finn Wolfhard) com problemas na escola, Lucas (Caleb Mclaughlin) tentando conquistar a garota nova da cidade, e finalmente Eleven ( Millie Bobby Brown) enfrentando um pseudo relacionamento paterno com o xerife (David Harbour), todos estão mudando, e principalmente, descobrindo detalhes de sua personalidade ainda desconhecidos.

A estrutura narrativa funciona como um filme de 9h, muitas vezes você tem a sensação de estar em um cinema assistindo a um grande filme com pausas para o comercial, e a estratégia funciona com maestria. Nos três primeiros episódios temos a introdução do novo vilão e esclarecimento sobre questões deixadas em aberto, no segundo ato temos a inserção da problemática, e suas consequências na história, e no terceiro e último ato, temos a clássica virada, a resolução dos problemas, e obviamente o gancho para o próximo ano.

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(Foto: Reprodução)

Por optar por separar os personagens e introduzi-los em subtramas paralelas, os diretores conseguiram expandir o universo e deixá-lo mais rico, e consequentemente deixar os personagens coadjuvante mais interessantes. Nancy (Natalia Dyer) em sua jornada de justiça por Barbara (Shannon Purser) ganha personalidade e complexidade.

A atuação como um todo da série é excelente, cada ator entrega uma atuação exímia, e a sinergia em cena de cada um deles é praticamente palpável. Se no primeiro ano Millie foi a grande revelação com sua personagem, a nova temporada tem como destaque Noah Schnapp, o interprete do Will, tem uma atuação primorosa, transitando facilmente entre o garoto em busca de independência, e principalmente, superar o que aconteceu no mundo invertido, e o drama de ainda ver e sentir o que está acontecendo no outro mundo.

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(Foto: Reprodução)

A fotografia é de uma sensibilidade que raramente é vista em séries, nos momentos de tensão a câmera opta por pegar detalhes que o espectador não espera, como a nuca de Will, e a maneira como seus músculos se enrijecem quando está com medo. As cenas a noite são bem iluminadas, é interessante até notar como a direção de fotografia insere elementos como a neblina para dar contraste e facilitar a interpretação do espectador nas cenas que estão acontecendo.

Com o sucesso vem o dinheiro, e isso é visível na construção de mundo. O CGI é bem construído, desde os cenários assustadores do mundo invertido, até os monstros, é notável a evolução. Tudo tem mais textura e mais fluidez.

Strange Things é sem sombra de dúvidas uma das maiores apostas da Netflix, e uma bem assertiva, não só pelo sucesso comercial, mas pela exímia construção narrativa e de universo.

🌟🌟🌟🌟🌟

 

 

Pânico 1 – Crítica

Relacionamento, base vital para construção de uma sociedade. A maneira como interagirmos com as pessoas, e nossos parentes constroem boa parte de quem somos. Nosso senso de moralidade, ética e valores sociais, a maioria é introduzida pelo primeiro contato no relacionamento interno familiar.

Você deve estar se perguntando, porque a crítica de Pânico (Scream – 1996) inicia-se com uma introdução sobre relacionamentos? E a resposta é simples, o filme é um grande e laborioso ensaio sobre como a ausência e as falhas morais da maternidade e paternidade afetam quem seremos no futuro.

A trama acompanha Sidney (Neve Campbell) uma jovem traumatizada pela morte sanguinolenta e violenta da mãe. Um ano após o ocorrido, uma jovem é assassinada brutalmente, e vários jovens da cidade começam a receber telefonemas ameaçadores, inclusive Sidney.

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(Foto: Reprodução)

Pânico foi uma revolução no cenário dos filmes de terror da década de 90. O gênero vinha perdendo espaço nas salas escuras depois das continuações risíveis de “Halloween”, “Sexta-feira 13” e “A hora do pesadelo”, todos com fraca bilheteria e críticas pífias dos críticos.

A saga de Sidney agradou ao público e parte da crítica especializada. Esse sucesso está diretamente ligado a direção magistral do grande Wes Craven ( A hora do pesadelo) e o roteiro afiado, complexo, porém sutil de Kevin Williamson.

O roteiro é diferente de tudo que já tinha sido produzido, a trama faz referências a filmes clássicos e ao mesmo tempo brinca e subverte clichês do gênero. É interessante como o filme levanta as “regras dos filmes de terror”, enaltece cada uma delas para no final subvertê-las a vontade e necessidade da trama principal.

Os diálogos e os personagens são bem desenvolvidos. Cada morte tem um significado para trama, o roteiro não prega a carnificina gratuita, cada detalhe faz parte de uma construção maior, isso vai desde a cena de abertura com a  Drew Barrymore  ao ato final do filme.

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(Foto: Reprodução)

É interessante a maneira como a narrativa é desenvolvida, os assassinatos estão em pauta e guiam a trama, mas paralelo a isso, e com muito peso está a relação entre os personagens, e as consequências dos erros cometidos pelo pais sobre cada um deles. A figura ausente e promíscua de Sidney, o pai adultero de Billy, e como o divórcio o afetou. Pânico constrói nas entre linhas uma valiosa reflexão sobre como os relacionamentos familiares nos modelam no transcorrer da vida.

Se o roteiro oferece diálogos sagazes, o cast não desperdiça. Todo o elenco está afiado, demonstra domínio do personagem, e consegue transmitir a dualidade pertinente a cada um deles. Aqui o clichê e o estereótipo, são aproveitados e introduzidos na construção de personagem.

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(Foto: Reprodução)

 

Wes Craven demonstra que nasceu para dirigir pânico, o diretor conduz a narrativa com agilidade, sem nunca deixar que detalhes importantes passem batidos. As cenas de morte são bem ensaiadas, e principalmente, enquadradas, os detalhes são exibidos, mas sem nunca deixar o espectador enojado.

Pânico é uma experiência que vale a pena ser desfrutada. Seja pelo roteiro inventivo e encharcado de boas piadas e diálogos magníficos, ou porque simplesmente deseja ver um assassino correndo atrás de jovens no final da puberdade com hormônios a flor da pele.