Alma Doente.

Minha alma está doente há muito tempo
Não lembro quando um dia esteve saudável
Há tempo que não vejo um céu limpo
As dor da tempestade se tornou insustentável

Se a vida arde no peito, a dor arde no coração
Em chamas, minha pele carboniza
Se resta ainda tempo, não restará razão
E no desespero se encontra beleza

E no auge da dor, apenas resta o sofrimento
De ter o prazer de dormir e a dor de acordar
Com a coragem de desaparecer no vento

Quando a flor que foi plantada
No meu túmulo florescer
Saberá que minha alma doente estará curada

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Flores mortas em dezembro

Parecia frustrado, era só um dia nublado de dezembro.
O dia parecia frustrado. Cairá ao entardecer, uma tempestade longa e assassina. Ocultará nas suas nuvens as alegrias que outrora surgiram para acalentar.
Não haverá verbologia pior que o silêncio desta madrugada acordado.
Nem o arrastar desta tarde, que ao não passar, facultará minhas tristezas e desilusões.
Como um cristal engolido, machuca ao respirar, machuca ao pensar, machuca ao tentar não sentir a dor, como um sentimento eterno, uma tortura, um masoquismo. Tentar evitar que as flores morram, sem ao menos dar atenção a estes seres inúteis.
Observá-las em sua inércia, com os carros passando andares e andares abaixo. Andares que já pensei em afundar tantas vezes, porém agora controlo todas as vicissitudes da alma com remédios tarjados.
Mas dezembro ainda me deixa frustrado, com suas chuvas matutinas e seus calores madrugais. Um ciclo infernal que me desperta na madrugada, me faz buscar o cigarro e pensar nas oportunidades desperdiçadas.
Nas piadas, nas risadas e nas lágrimas.
Nas milhares de vezes que perdi a conta dos dias.
Nas plantas que deixei morrer.
Nas reprovações.
Jogo a caixa de remédios varanda abaixo. Me arrependo, quero pular, penso que se o fizer será a última coisa a ser feita.
E ninguém velará o corpo das minhas plantas mortas.
E não receberei os parabéns por mais uma primavera feita.
Pro inferno.
Terei que esperar o sol nascer, o dia chover e a vida continuar
Mais um dia frustrado, com palavras ululantes e perdidas, vontades loucas de rasgar-se, vomitar, de deixar-se derrotar.
Saber que és a vergonha da família.
E que agora está por sua conta, sozinho.
E que os cigarros acabaram
E os remédios se suicidaram
E as plantas morreram.
É dezembro, o mês frustrado.

Text in English

When I started writing, I set the goal that this year I would do well a text in English, and today I’m here trying. I don’t have many experience to writ in another language, but let’s go!

I want to start thanking, because this year I achieved many personal goals, such as I entered a second college at Fatec, I did a few new friends, I met old friends, I knew my boyfriend, a very important and very special person. And I got matured enough to be different, and because of this I went through some things, but I’m survivor and thankful! After all nothing comes without effort, without sweat.

Also, it has the bad side, those we just have to swallow, the weakness… But I know I have to take each day as it comes, just keep going and never give up. At the end of the tunnel, there will be a light, certainly it is a cliché, but it is real. Nothing is easy, but if you want to do something, you should try to.

I have plans for the future, and I believe that the next year will be better, for me, for you and for everyone. I wish world peace since it has already so many bad things, but we can get around and be better people.

Flagelo da Terra

A humanidade

Essa besta-fera

Aquela que em pouco tempo de existência

Levou a Terra à devastação

Destruímos nosso planeta

Destrímos nossos irmãos

Destruímos a nós mesmo

Com guerras

Poluição

E uma auto-crítica devastadora

Tudo começa dentro de casa

Quando o pai destrata o filho

Ou vice-versa

Depois vai pra escola

Onde um aluno zoa o outro

Por ser minimamente diferente

Onde o aluno desrespeita o seu professor

E temos também em nível de sociedade

Onde o rico descrimina o pobre

O branco descrimina o negro

O hétero descrimina o gay

Ou qualquer letra da sigla

E vamos ao nível internacional

Onde um país fere o outro

Seja o menosprezando

Seja nas sanções

Ou na batalha propriamente dita

E como se não bastasse isso

Não temos respeito pelo nosso lar

Começando pela latinha jogada

Da janela do ônibus

Terminando na fábrica

Que polui um rio

Ou joga uma cidade na lama

Quando será que vamos mudar?

E quando mudarmos

Será a tempo

De salvar nossas almas

Nossas vidas

Nossa sanidade?

Não há como saber

Mas dá para começar bem pequenininho

Com pequenas atitudes

Se terminei de comer um bombom

Por que não guardar o papel

Até que se possa descartar propriamente

Que tal ser gentil

Mesmo com quem não merece?

Talvez não adiante

Talvez a Terra sucumba

Nos levando junto

Mas sei que hoje

Fiz um pouco do que podia

E alguma coisa

Na vida de alguém

Mudou para melhor

E é isso que importa

Quando ela conseguir dormir.

– Para você, hoje, há três anos, eu recebi a notícia que você tinha partido.

 

Ela lentamente deslizou para dentro das cobertas no seu silencio da madrugada. Como se pudesse colocar uma dúvida dentro do seu coração, uma sensação de sozinha, de solidão. O relógio afirmava que eram três da manhã, a hora do demônio como dizem, a hora de que os justos dormem. Ela não conseguia dormir, há muito não sabia o que era sonhar, talvez as dores e as preocupações que martelavam em sua mente faziam que anos de evolução mantivesse sua quietude em alerta, todos os problemas acordavam quando ela punha sua cabeça no travesseiro. Nada poderia machucá-la, mas a saudade era o que mais doía. Tempos bons aqueles que ficaram para trás, agora com este tanto de responsabilidades e loucuras, agora precisando viver este dia após dia sem tempo para si. Na sua mente a pergunta martela: valeu a pena? Não haveria resposta, ninguém iria surgir no meio da noite com o tão precioso sim ou não. Ela veria o sol nascer e permaneceria com sono enquanto todos estão felizes.

Mas quando se fica muito tempo sem dormir, tudo perde o seu gosto de verdade. Era procurar um tesouro imaginário, uma vontade de viver, uma vontade de fazer tudo valer a pena. Eram nove da manhã, ela segurava seu café, subindo os milhares de andares do elevador. Eram dez da manhã e lá estava, sentada na frente de um monitor preparando os anúncios da empresa na rede social. Todos estavam felizes, sexta-feira, happy hour, dentre outras coisas. Todos viviam, respiravam, comentavam, faziam parte de um universo ultra, m universo que não tem uma saída de escape, que não se tem um motivo. Quase vivendo dentre a sombra e a luz, no fundo ela os invejaria, por que eles conseguiam sorrir, porque eles conseguiam dormir. No fundo ela queria que todos estes pequenos prazeres da vida regressassem, mas era pedir demais, estava afundada nas suas próprias dores, estava procurando alguma forma de dizer adeus.

Um dia ela decidiu que iria dormir para não acordar mais. Talvez num momento de desespero tomara esta decisão impensadamente. Se tivesse amigos, se tivesse conversado com alguém, esta medida drástica teria sido contornada. Dentre tantos “Se” ela acabou se esvaindo. Dormindo de fato, para sempre. Seu corpo foi encontrado muitos dias depois. A notícia foi dada no seu trabalho, e aquela raça sorridente recebeu em choque esta informação. Sim, entregara-se ao sono eterno. Rezaram por ela, mesmo ela nunca tendo acreditado em Deus. Choraram por ela, mesmo nunca tendo parado para ouvi-la, notá-la, observá-la. Agora cai o pano, desligam as luzes. Desce o caixão. Quem ela um dia foi, será um punhado de ossos no futuro.

Hoje ninguém mais lembra seu nome, suas razões e seus motivos. Todo esquecem e passam a viver a normalidade dos dias. Eu havia te notado, te observado, e até sentido suas angústias. Estava longe e quando resolvi me aproximar era tarde demais, recebi a notícia como os demais. Não acredito em céu ou inferno, mas, espero que tenha conseguido pelo menos o seu objetivo de descansar, dormir.

Se pudesse voltar no tempo, teríamos uma agradável conversa.

Se pudesse voltar no tempo, velaria teu sono.

O manto da madrugada.

Com a boca cheia do meu pau e com minha mão enterrada em seus cabelos eu nada podia ouvir. Era madrugada, até os carros estavam silentes. Um ou outro gato miava, mas tal qual um cenário desnecessário para uma noite mundana qualquer. Lá fora o medo poderia imperar nas desguarnecidas esquinas sujas, com olhos arregalados para cada farol alto, lá fora ainda seria possível sentir o cheiro da cerveja esquentando nos copos e garrafas, no barulho dos bares e nas pessoas escoradas nas mesas de metal. Distante de tudo, na minha própria ilha, ela com o meu pau em sua boca, eu sentindo o prazer mais bestial do homem numa forma inútil de reprodução. Como se pudesse flutuar no vácuo perdidos e inertes naquele mundo não nosso. Conseguiria visualizar o ligar e o desligar das luzes, com a madrugada viva, um ser respirante, único e diferenciador. Um manto negro que derrama seu véu na normalidade do dia, quando as meninas saem das suas tocas e vão para as esquinas  e os meninos se tornam bestas-fera ameaçadoras e violentas. Eu poderia, se me concentrasse, escutar a batida de alguma música distante, o barulho salivante da minha companheira me impedia de ter plena atenção neste ruido de fundo. Seria a Terra se movimentando? Os sons espaciais? Impossível de se descobrir um dia. Apenas imperava o nada, do nada, para o nada. Num mundo completo por ilusões sensoriais, maneiras do nosso cérebro demonstrar que o que tinha lá fora era criado por nós mesmos, todas estas sensações, todo este tudo. Poderia imaginar agora os carros parados no sinal, não, não podia, eram quase três, os sinais apenas piscam tristemente em amarelo. Ninguém morre de madrugada num acidente de carro, ninguém morrerá num bar, bêbado e perdido, ninguém morrerá com uma puta sentada no colo, ninguém morrerá esta noite, ela disse uma vez, quando estávamos deitados no palco externo de um teatro, olhando as grandes árvores, ninguém morrerá e ninguém morreu até agora, porém o agora está passando, como os ponteiros dos relógios que destroem a inércia de um dia comum da semana. Uma fisgada forte, seguro para não gozar, ela para de chupar por um segundo e olha nos meus olhos, vejo que são castanhos claros, vejo o seu cabelo liso grudado nas costas caindo pelas ancas, caindo pelos lados, vejo sua cara de boba, antes de fechar na seriedade do seu ato, retornando a prática, retornando a fome. Penso nela exercendo sua profissão diurna comum para, de noite, aproveitar deste momento lúgubre comigo. Aproveitar sua juventude desperdiçada com atos sexuais inúteis, talvez até egoísticos com os milhares de espermatozoides morrendo em seu suco gástrico, daí também me sinto um inútil assassino genocida, matando minha própria genética por puro egoismo, No meio do pensamento uma buzina me desperta da alegria de viver, paramos por um instante, pensamos (ambos) que fosse o seu namorado, mas era um pensamento torpe, ele nunca chegou a visitá-la num dia de semana, talvez ela nunca tenha chupado o seu pau. Faz parte. Não nego, tais sustos também são conseqüências de uma madrugada dentre tantas que ainda vão existir  e nesta existência logo dormiremos e deixaremos que este dia tenha ido embora e tudo terá ido embora eu, ela, o namorado, a madrugada. O amanhecer é o maior assassino dos sonhos. Gozo, ela bebe tudo com vontade e uma pitada de nojo. Agora é a minha vez, lamberei sua boceta enquanto ela filosofa sobre a madrugada.

 

Dias

Tem dias em que o amanhecer é uma dádiva.

Mas tem dias que levantar é um carma.

Há dias que simplesmente acordar é um fardo.

Dias de tempestades, escuros, lentos, pesados.

Tem dias que todas as coisas dão errado, que você fica pra baixo.

Olha para o lado e só vê o fardo.

Também tem dias que você tá de “boas”,

Pode cair o mundo e você só fica à toa.

E tem os dias foda pra caralho,

Só te mostram que você é um puto cansado.

Dias, dias e mais dias.

Cada qual com um pesar,

Uma rotina a alcançar.

O que fazer? Amar ou odiar?

Eis a questão a pensar.