O novo já nasce velho

Mesmo que não haja Deus, mesmo que seres humanos não tenham almas, ainda será verdade que a evolução criou um animal notável – o animal humano – durante seus milhões de anos de trabalho.

– Jane Goodal

Sabe quando você era criança e ainda acreditava em papai Noel, fada dos dentes, Pinóquio e assim vai… Contos incríveis que faziam a imaginação voar longe, mas após um tempo você foi crescendo e descobrindo que eram apenas histórias para de alguma maneira fazer você ter esperança por algo, ou então ser retribuído por algo ou até mesmo de lição para não fazer algo. Pois é desde pequenos somos levados a esse extinto materno de auto piedade, auto proteção, felizmente alguns contos a gente descobre que não são reais.

Se não imagina marmanjos pagando dizimo para sentar no colo de papel noel e pedir um carro de natal? Acho que já deu pra entender aonde quero chegar.

Então vamos ao ponto o que diferencia “DEUS” desses mitos, contos… Personagens místicos e tudo mais? Por que à meu ver ele faz o trabalho de todos em um… Com uma diferença ele tem um manual de instruções e o mais importante às pessoas fingem que seguem, mas ninguém segue, nem mesmo os religiosos mais fanáticos seguem de verdade.

Por que não fazer algo para manipular mundialmente, domesticando o cérebro dessas pessoas desde pequenos com histórias e, mais histórias para que elas não possam pensar por si só e se acostumarem à se contentar? Por que será que ensinam logo quando você é criança ? logo quando você não pensa criticamente, e sim tem apenas um senso comum limitado aos que adultos ao seu redor te empoe? Por que não esperar o indivíduo ter liberdade ou não para acreditar seja la no que for? melhor ainda, será que se não tivessem dito que existia esse “DEUS”, que milhares de pessoas idolatram e intitulam o todo poderoso, essas pessoas sentiram ele e acreditariam que algo sobrenatural rege tudo e a todos?

Milhares de Pessoas nesse mundo tendo dificuldades com coisas básicas como o próprio alimento, e os religiosos erguendo templos de ouro com o dinheiro Dos “Fiéis” que eu chamaria de escravos da ignorância, da tolice de um crime que está em vossa face.

Ah se alguém me pergunta qual foi à primeira organização criminosa, ou forma de manipulação da sociedade quem mais poderia dizer se não os religiosos? Que há séculos vêem torturando e matando pessoas para que sigam suas regras, e hoje em dia não é diferente, eles fazem de uma forma mais atual como uma indústria, ela precisa se atualizar à nova “era” para se manter nas exigências do seus clientes, mesma coisa era a igreja antigamente que proibiam pessoas até mesmo de aprenderem a ler e escrever para manipularem elas com toda a certeza, hoje em dia eles fazem diferente dão estudos e tudo mais sobre a religião ensinando nossa sociedade e fazendo o que querem, ninguém parece perceber enquanto eles gozam da vida diante de nossos olhos.

“Se por acaso descobrisse que Deus não existe, você largaria

toda sua concepção moral e começaria a matar e roubar?”

Se a resposta for “SIM”, digo:

“espero profundamente que você nunca perca sua fé.”

Sinceramente odeio ter sido obrigado a frequentar uma religião até certa idade e me sinto feliz por ter acordado na hora certa, para a realidade que acredito, e hoje sei que sou responsável por tudo que acontece em minha vida, se eu fizer ou deixar de fazer, tudo terá uma consequência, e dessa maneira irei seguindo meu caminho sempre honesto e de cabeça erguida, por que não preciso ter um “DEUS” ou qualquer entidade de vossas mentes paranóicas, para resolver as merdas que eu fizer ou deixar de fazer, ou culpar por isso e aquilo, mas sinceramente por um lado existir religião é bom, se o mundo já é esse lixo, com esses meios de manipulação imagina sem isso ?

O PIOR REGIME DO MUNDO É A TEOCRACIA. POLÍTICOS JÁ SÃO SUFICIENTEMENTE

PERIGOSOS FALANDO POR SI MESMOS. SE SOMAREM AOS SEUS PODERES A FUNÇÃO DE PORTA-VOZES DIVINOS, ESTAREMOS FODIDOS.”

– Ricardo Boechat

 

 

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Cold

I’m gazing upwards, a world I can’t embrace

Eu estou olhando para cima, um mundo que eu não posso abraçar

Frio as vezes não é o inverno, mas sim a vida que você vive.

A vida por vezes é de uma frieza incrível, o mundo é a maior escola que temos para aprender tudo que queremos e por vezes o que não queremos também.

O mundo é vasto e as pessoas são tão rasas em sua maioria, vivemos como Tyler Duree disse no famigerado clube da luta;

Trabalhamos em empregos que odiamos para comprar porcarias de que não precisamos.

E o pior frio da vida não é aquele que você sente na barriga, aprendemos que esse é bom por muitas vezes, o ruim mesmo é quando o frio é de você estar frio.

Você provavelmente já percebeu que esse texto não é sobre as estações do ano e nem unicamente à uma pessoa, esse é um texto sobre pessoas estarem frias.

Então vamos lá entender um pouco ?
Embarque comigo !!!

Já conheceu alguém que quer abraçar o mundo ? mas o mundo só faz uma coisa com essas pessoas, ele deixa ser abraçado, sim ele deixa, mas não retribui… seus braços continuam para baixo e não fazem questão de se mexer.

É como se tudo que você quisesse fosse incantável, mas tudo que você recebe é pedrada, a vida faz isso conosco, ainda mais quando você tem um coração bom.

O mundo brinca com você e te testa, testa e testa de novo, dizem que herói é aquela pessoa que se sacrifica pelos outros e tem coragem. Mas herói mesmo é quem tem medo e vai lá e faz mesmo assim, mas e quando o coração do herói se quebrar e ele virar a casaca, herói pode errar ?

Não sei vocês, mas eu acredito que existem heróis por ai. Mas não é aqueles do conto de fadas, com capas e super poderes, são aqueles que lidam com a frieza do mundo e que nada e nem ninguém nunca mudam sua essência, continuam sendo bons apesar das piores tempestades, fácil é ser herói quando nada te atinge, difícil e raro mesmo é quando você é vulnerável e as kriptonitas são as pessoas ao seu redor.

Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos…
– Pequeno Príncipe

A escolhida

Assim que nasceu, a menina foi levada pelos velhos da aldeia. E como todas as outras que já tinham nascido antes dela, foi cuidadosamente examinada. Nua sobre a mesa, a começar pelos pequenos pés, ainda enrugados pelo líquido amniótico, até a cabeço, de onde foram raspados os poucos fios para que não ficasse nenhuma parte sem que mãos e olhos experientes apalpassem e esquadrinhassem. A busca estava se tornando cansativa. Anos a fio e a prometida não chegava. Os primeiros guardiões, jovens e destemidos que receberam a missão, agora anciãos, trêmulos, se agarravam numa profecia e tinham medo de começar a duvidar.
Mas, essa manhã, parecia diferente. O sol amarelado rompia as nuvens numa preguiça significante. A menina deixava-se examinar sem choro e sem protesto, como se aceitasse de antemão o destino que lhes impunham.
Atrás da pequenina orelha, um vislumbre de pele mais escura. Cochichos. Mãos nodosas apalparam, olhos neblinados de cataratas que nitidamente enxergavam o sinal. “É ela!”. E antes que pudessem se arrepender, e antes que o eco das vozes se perdessem, cobriram-lhe a cabeça para não expor o sinal divino e a levaram.
Cresceu pálida sem a luz do sol e desencantada sem a luz da lua. Sozinha no seu cubículo, tinha por brinquedo as pedrinhas que lhe ofereciam. “Brinque com elas. Ame-as. Toque-as. Brilhe-as.” Se chegassem e a encontrassem longe das pedras, não recebia as porções de comida. Aprendeu a reconhecer os ruídos bem antes que chegassem à porta. Rolava então os metais duros entre os dedos, esfregava-os na pele, lambia-os. Cheirava-os. Que mistérios teriam? Que mágica esperava que lhes fizessem? Notou que as mãos e os dedos foram se tornando calosos. Endurecidos começaram a dar formas às pedras. A primeira coisa que fez foi uma delicada bonequinha. Sua amiga. Mas tão silenciosa! Tão branca… furou o dedo num dos caquinhos e pintou-lhe a boquinha. A boneca sugou-lhe o dedo com força, corou as faces e sorriu-lhe agradecida. Naquela noite, quando chegaram os guardiões, falaram entre si entusiasmados. Rolaram a pedra vermelha nas mãos, tocaram a criança de modo imperativo, apontando-lhe o monte de pedras: Ao sair, levaram sua companheira.
Os dedos duros e ásperos da prisioneira lapidaram a noite toda. Na manhã seguinte uma fila de menininhas rodeavam-lhes os pés. Olhos abertos e faces pálidas voltadas para a translúcida menina, que sem medo, espetou os dedos e deixou o sangue cair sobre boquinhas sedentas.
Mas ao cair da tarde, entre risos entusiasmados, apertos de mãos e lágrimas de alegrias, as pequenas foram levadas embora, enfiadas em caixas e trancadas à chave.
A solidão é maior depois que se conhece companheiros. E a menina chorou pela primeira vez. E notou, então, que suas lágrimas também davam cor às suas pedras. Não vermelha. Um tom creme e suave que lhes tiravam a palidez e as embelezavam com brilho opaco. Assim chorou longamente sobre aquelas que dali a pouco teriam forma sob seus dedos fortes e ágeis.
Nos dias que se seguiram, não teve mais tempo de comer, beber e nem mesmo brincar com suas bonecas. Mal acabava uma leva, vinham-lhe roubar e presentear-lhe com novas pedras brancas e sem formas. A exaustão já estava tomando conta do seu corpo. Não vertia lágrimas e os dedos deformados clamavam por descanso. Foi então que lhe trouxeram algo diferente. Era um bloco inteiro. Duas vezes o tamanho dela mesma. Deixaram-no lá, não antes sem apontar-lhe o dedo de forma ameaçadora.
Estudou longamente o que tinha à sua frente. Pensou todos os poucos pensamentos que tinha acumulado em seus anos de solidão. E quando a decisão se concretizou, relaxou o corpo franzino e, com um sorriso pôs-se a trabalhar.
Começou pela parte de baixo e foi galgando a pedra enquanto lhe dava forma. Levou a noite toda. A manhã ainda a encontrou trabalhando. Quando finalmente desceu e contemplou sua obra, chorou. E desta vez foi de felicidade. Lavou-as com suas lágrimas quentes e salgadas, esfregando a nova forma vigorosamente. Foi doando a cor necessária e quando julgou pronta, furou mais uma vez o dedo.
Levou a gotinha aos lábios recém-formados e deixou ser sugada. Teria caído quando as forças a deixaram, mas braços fortes e maternais a apertaram contra o peito.
Quando a tarde a porta se abriu para a próxima visita e busca, uma figura poderosa os aguardava. Assim que tentaram se aproximar, mãos pétreas e dedos em ristes os afastaram. Lá fora a liberdade as esperava.

Capítulo 2 – Não sei lidar com a saudade.

Acordei e como todas as pessoas da minha idade, antes mesmo de abrir os olhos complemente, já estava com o smartphone na mão e quando abri meu Twitter tinha uma mensagem de @ me marcando na seguinte frase;

“Seu signo é de gostosa da porra.”

Tem sem noção pra tudo, mas admito que sorri.

Porem essas situações me assustam um pouco, pois o ser humano mais descontrolado é o homem pensando com o pinto.

E a mulher que pode ser mais facilmente iludida é a apaixonada, meu sorriso apos ler aquilo só confirmava isso.

As vezes fico preocupada com essas situações, não sei lidar com saudades e esse @ especifico me faz ter saudades.

Me pego pensando essa situação da sua vida será que isso é um real problema?
Ou uma ilusão da sua mente? As vezes você é quem cria todas essas confusões.

Mas as vezes parece que me perdi na minha própria bagunça, sabe ?

Quando penso em quanto tempo e esforço foi desperdiçado com as pessoas erradas. Logo me vem a mente;

Não quero de volta pessoas que se foram, quero pessoas que nunca irão.

Talvez esse @ seja um dos que nunca irão.

Mas só vou saber se tentar.

Então toquei em responder Twitte, marcando o @ dele e digitei;

Eu tive que perder pra dar valor . Só agora percebo o quanto é horrivel ficar sem o fone de ouvido.

ELA NO MUNDO DOS HOMENS.

homem ria.

O trem estava vazio.

Jornal aberto no colo.

O homem ria, ria e olhava para ela profundamente, ria e olhava para dentro de sua alma, ria e a encarava. Ela desviava o olhar, ela iria descer na próxima estação, ela evita olhar para aquele homem, mas os olhos estavam em cima dela, como dois pedregulhos, como duas bolas de aço incandescentes. Ela está de saia, passando o joelho, botas, camiseta manga cumprida, cabelos curtos negros, bem cortados. Batom não muito forte, combina com a blusa, ela se sentiu bonita ao olhar-se no espelho, havia emagrecido, havia feito dieta, havia entrado na academia, mesmo pagando o primeiro mês e nunca pisado no estabelecimento. Ela estava no seu trabalho, ela ia para o trabalho, mas o homem, o homem olhava profundamente para sua alma. Ela sentia-se nua, invadida. O homem, um gordo, usando trapos, ela não reparou bem, mas ele estava com jornal aberto no colo, com uma mão embaixo do jornal e o jornal pulando no colo.

Ela desceu uma estação antes.

Sim, ele estava se masturbando.

Ela sentiu vontade de vomitar, ela sentiu-se tonta. Ela sentiu raiva. Sua irmã bem que comprou um canivete borboleta, qualquer coisa e ela furaria a garganta do indivíduo, mas não, não teria coragem de fato, seria só para assustar. Suas mãos tremiam. Ela sentia uma angustia em seu peito, uma raiva explosiva, como se quisesse matar a todos, mas não, estava contido, estava dentro dela, e ela precisaria se apressar, agora que descera uma estação antes, para não chegar atrasada.

De novo.

Mas precisaria ir ao banheiro. Precisava lavar o rosto, esquecer, recompor-se. O banheiro da onde? Da estação? Teria que ser. E foi.  Nunca havia entrado. Sua bexiga era treinada para aguentar longos períodos de sofrimento, e claro, isto pautaria o quanto tempo de vida ainda restaria para ela.

No sujo espelho do banheiro ela se observava. Lavava as mãos e olhava de relance para o próprio rosto, magro, branco, batom, maquiagem, necessário? Tinha que ser. Sentia-se bonita. O banheiro imundo a suas costas, urinar de cócoras, para não encostar naquele vazo pútrido. O cheiro estranho misturado ao miasma do ambiente, as luzes fracas, e o seu reflexo, único, pálido, parado. Tirou da bolsa o batom, retocou como se quisesse perder tempo. Mas ela mesmo estava tentando limpar a mente, tentava ignorar aos próprios pensamentos.

O velho se masturbando e olhando para ela.

Outro dia, no ônibus, um homem encostou nas suas costas, a viagem toda, todos os trinta minutos, mesmo com espaço para locomover-se. Todo freio brusco lá estava ele, jogando a pélvis contra suas nádegas, e lá vai ele novamente. Ela se sentia incomodada, ela queria chorar, ela queria gritar. O rosto suado do homem encostado em seu cabelo, o cheiro de desodorante vencido, o machucar dos botões da camisa. Mais uma curva, e o peso em suas costas.

O peso do mundo em suas costas.

O medo de andar nas ruas sozinha, ela tinha que ter comprado o canivete, o medo de alguém agarrá-la, o medo do estupro. Não só levar os bens pessoais, mas a humilhação de ser invadida por um estranho. NOJO. O nojo toma conta de seu corpo, o medo, o medo de ser agarrada pelos dedos da maldade, lançada no chão e violada, a dor, o trauma, não é qualquer trauma, é o medo em seu coração…

Todos os dias.

Ela acorda de madrugada, toma banho e se arruma, precisa ir trabalhar.

Entra no metro, está cheio, todos vão para o mesmo lugar.

Todas aquelas vidas naquele único lugar.

Todos para o mesmo meio do caminho, um encontro e outra despedida, crianças, adultos, filhos, filhas e ela, que lá estava. Vivendo no mundo dos homens. Sozinha, indefesa. Não existem heróis salvadores que irão pegá-la nos braços musculosos e a levar para voar sob as nuvens, não existe, e se existisse seria errado, ela não gostaria de ser salva por um idiota destes. Ela gostaria que a respeitassem, que a a tratassem por igualdade, onde ela não precisasse viver com o medo.

Mas o mundo dos homens estava lá, e ela é refém deste mundo.

A Dor

Me arrastei para fora do metrô por 1km de caminhada com o baixo nas costas até o estúdio como fazia duas vezes por semana e cheguei suando feito um porco como de costume.

– Que isso, Conatus! Tá morto, hein? – o guitarrista mais animado disse.

– Só por dentro – respondi, e o baterista riu de maneira desconfortável.

Eu já a estava sentindo havia algumas semanas, mas achei que era apenas meu sedentarismo cobrando seu preço e que alguns alongamentos resolveriam. Tocamos por duas horas na mesma posição como de costume e, como de costume, assim que dei um passo a frente eu a senti novamente: Como se uma faca fosse enfiada em minha virilha e torcida para deslocar o osso da bacia. Eles perceberam minha expressão de dor e perguntaram o que eu tinha.

– Só aquela descolada básica do fêmur – eu disse, gerando mais risos desconfortáveis.

– Você tem que dar uma olhada nisso, cara.

– É, eu já falei com o cara, mas só mês que vêm.

Eu estava nos meus últimos meses em São Paulo, que acabaram sendo os piores da minha vida. Trabalhando apenas um dia por semana, os outros compostos apenas de erva e cama. Eu havia perdido 10 quilos em dois meses por que não comia e amaldiçoava o fato de ter de comer. Só quando as dores no estômago ficavam insuportáveis e as bolachas acabavam eu me arrastava para o restaurante mais próximo e mais barato, no qual podia-se comer à vontade. Seria ótimo, se qualquer coisa que eu pensasse em comer não me causassem náuseas e eu tivesse que lutar para manter o alimento dentro de mim. O próprio ar fora do apartamento ou o calor do sol me causavam enjôo e tontura quando eu tinha de pegar o metrô para o trabalho. Fora isso, eu só saía pra comprar erva, comida e cigarros.

Mas ficar dentro do apartamento não era isento de problemas: Havia um buraco no teto do banheiro de onde escorria esgoto do inquilino de cima na cabeça de quem quer que fosse tomar banho, mas que ninguém arrumava por que ninguém nunca faz nada direito e as coisas simplesmente vão apodrecendo. As casas, as pessoas, as relações sociais, a política e a sociedade como um todo. Não sei o que enxergam de tão bom em aumentar a expectativa de vida das pessoas, tudo o que conseguem com isso é fazê-las apodrecer mais devagar.

Pra piorar, eu odiava as pessoas que moravam comigo. Ninguém se importava com ninguém, não mais do que fosse conveniente a eles mesmos, como sempre. Ninguém tinha culhões pra falar o que odiavam uns nos outros e o método de “resolver problemas” era engolir a merda do outro quieto até que, quando ele próprio fizesse merda e o outro reclamasse, vomitar de volta na cara dele. Não há realmente muito o que se fazer sobre isso, por que como eu disse, a maioria das famílias, dos casamentos e da sociedade funciona assim, vão apodrecendo. Mas eu nunca quis fazer parte dessa merda toda, e estar preso a eles pela porra de um contrato e ficar ouvindo suas lições de moral hipócritas estava me fazendo mal pra caralho.

Mas claro, como nada disso era suficiente, veio também a dor para me fazer companhia.

Depois que tudo se acabou e pude voltar para o interior, consegui ir no fisioterapeuta: Problema postural, escoliose. A coluna estava torta e pressionando um músculo que passava pelo quadril e ia até a minha coxa, causando a maldita dor que me atormentava.

– O ser humano é tão sábio e evoluído que não sabe nem sentar direito – eu disse para Selene, que estudava medicina e também não tinha saco pra essas coisas religiosas – e o  corpo humano é tão perfeito, feito por um design tão inteligente que é só sentar errado pra você tomar no cu.

– Muito inteligente. Obrigado pelo apêndice, deus – ela respondeu.

Comecei o tratamento. Alguns exercícios diários, uma sessão por semana, nada demais. Eu sempre tinha achado o lema dos fisioterapeutas – “o médico devolve a vida, nós, a vontade de viver” – deveras pretensioso, mas confesso que depois da primeira sessão com o doutor eu estava pronto para fazer um culto ao nome dele. Aquilo parecia mágica.

Contei ao doutor – ele realmente tinha um doutorado, não só uma boca grande – de como desisti de minha carreira em São Paulo depois do tanto de merda que ouvi no consultório e que me fez desprezar ainda mais a vida humana e ele me contou de como seus primeiros anos em sua profissão haviam sido difíceis. Me contou de tumores descobertos por ele na coluna ou cabeça de mães de bebês, de mulheres abandonadas por seus maridos por que sentiam dor demais ao transar, entre outras coisas que não melhoraram minha visão de mundo.

Ele me contou também o exemplo oposto de sua esposa, mais semelhante ao meu, que havia se formado como enfermeira, mas assim que botou os pés em um hospital, decidiu que aquilo era demais pra ela e não quis seguir com a profissão. Enquanto ele estalava meus ossos e colocava algumas vértebras no lugar, aquilo me deixou pensativo, e, quando conversamos no final, eu disse a ele:

– As vezes eu penso se fiz a escolha certa… Agora que você disse… Penso se talvez eu não deveria ter aguentado um pouco mais, segurado a barra nos primeiros anos até que ficasse mais fácil com o tempo.

E ele respondeu na hora:

– Mas você tem que ver se você gosta realmente disso. Eu ficava mal, doente, não dormia a noite por que me importava com meus pacientes, queria ver eles melhorarem e achava que não estava fazendo o suficiente… Essa preocupação me fazia seguir em frente. No caso da minha mulher não era assim, ela realmente não gostava daquilo, não queria nem ver ou chegar perto, aquilo não dava nenhuma satisfação pra ela, só desgosto.

Me surpreendi com sua sabedoria naquelas palavras. Não gostava muito de médicos ou profissionais da saúde, a maioria que eu conheci era esnobe e não se importava realmente com seus pacientes, mas naquele homem eu vi uma paixão verdadeira por sua profissão, uma que nunca senti quando estava em seu lugar e não tinha esperança de sentir um dia se continuasse. Quando ele disse aquilo eu não pude deixar de rir e apenas respondi:

– É, acho que fiz a escolha certa.

Sobre desculpas

Uma das piores coisas que se aprende desde pequeno é “Pedir desculpas”, deviam ensinar à não fazer por onde pedir desculpas depois.

As pessoas te fodem e depois pedem desculpa, como se nada tivesse acontecido !
Como se o pedido de desculpas fosse desfazer instantaneamente tudo aquilo que ela causou.

Sabe foda-se à desculpa, se fez; ta feito. E uma desculpa não vai mudar nada. Claro demostra que você está arrependido, isso se estiver realmente né, pois falar é fácil. Pense a respeito do que você vai fazer, do que vai falar, do que quer realmente com alguém ou com uma relação, seja sincero consigo mesmo.

Errar é possível, acontece, mas tente fazer por onde isso não se torne normal e que com “Desculpas ira resolver tudo”, pois não vai. As pessoas podem perdoar, mas não esquecem do sofrimento que foram afligidas, da dor psicológica ou física que você e suas atitudes e palavras causaram nelas.

Não sabemos até aonde podemos afetar alguém, então pense mais sobre o que faz. No Brasil você tem o direito de permanecer calado. Qualquer coisa que diga será citado erroneamente, exagerada, e depois usada contra você !