Resenha do Livro: Se não eu, quem vai fazer você feliz? Minha história de amor com o Chorão

Sou fã do Charlie Brown Jr. e admiro muito o trabalho incrível dessa banda que sem sombra de dúvidas desencadeou novos estilos musicais influenciando assim toda uma geração. As composições do Chorão e equipe marcaram um momento no qual vivi. Suas músicas foram minha válvula de escape em uma determinada situação onde conseguia por meio das canções relaxar, passei a ser mais otimista em relação as coisas e as pessoas. Quem é ligado em música entende o que estou falando, quando há identificação com as letras de certo modo elas poetizam o que passamos e assim temos a sensação de que foram criadas para nós! E é incrível ver e sentir o efeito do som. Principalmente quando você presencia a vibe daquela banda que tanto curte.

Consegui ir a um show do CBJr. (um dos melhores shows da minha vida)! Mas depois de um bom tempo desse evento, uns dois anos por aí, recebi a notícia da morte do Chorão (Alexandre Magno Abrão), nem acreditei, fiquei muito triste! No dia 06 de março de 2013 um dos maiores ícones do rock nacional tinha morrido. Me questionava como a família reagia e pensava a respeito do ocorrido, se eles entendiam o porquê daquilo, por mais que nós fãs tenhamos sentido, o Alê deixava filho e esposa aqui! Imaginem como eles estavam?!

No decorrer de alguns anos, após muita superação emocional conforme relatado pela própria Grazon (Graziela Gonçalves) no livro, a musa do Chorão nos presenteia com sua obra onde fala a respeito da relação que os dois tinham. Desde quando se conheceram em um bar muito famoso na época em Santos, até o último dia em que ela viu o Alê.

Conseguimos perceber por meio da narrativa quantas dificuldades o Chorão teve para trilhar o caminho de criar sua banda e mantê-la de “pé” apesar de todos os ocorridos. Com a leitura conseguimos ver o “peso” das coisas, o tamanho da “responsa” dele e o quanto a Graziela sempre esteve ao seu lado, o apoiando e até mesmo trabalhando indiretamente para a banda. “Por trás de todo homem bem sucedido existe uma grande mulher”. Muita garra houve de ambas partes para vencer todas as adversidades enfrentadas, ela foi sábia para ajudar o Alê em vários momentos. Tomamos conhecimento que houveram vários dias de lutas, mas também dias de  glórias, cheio de muitas superações!

Em suma somos agraciados por uma puta lição de vida, de perdas e conquistas. Embora você não seja fã da banda, a leitura é massa! Passamos a ter um pouco mais de conhecimento sobre a cultura underground e o cenário do rock nos anos de 1990 a 2000, onde também há diversas referências de bandas internacionais.

Mas como a vida não é um conto de fadas também é relatado as tretas e cobranças que o Alê tinha consigo e com os outros. As brigas que ocorreram na banda, o orgulho, a dificuldade de reconhecer os erros e pedir ajuda. E o quanto as drogas mudam o comportamento de uma pessoa. Cara falei demais, mas super vale a pena esse livro, eu ganhei de presente (melhor presente!), leiam!

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Seja foda!

 Feliz, Otimista, Determinado e Abundante

Caio Carneiro trás nesse livro grandes lições para vida, é um livro bastante voltado para o empreendedorismo, porém, não ache que se trata somente disso, é um livro de como se tornar uma pessoa melhor e assim conquistar bons resultados como pessoa e atingir o sucesso.

Gostei da maneira que Caio retrata o sucesso, ele deixa claro que isso é relativo de pessoa para pessoa e que você nunca se sentirá pleno e com sucesso se tiver que passar por cima dos seus valores para alcança-lo. E eu acredito muito nisso, mas essa ideia dele no livro me ajudou a deixar as ideias ainda mais clara a respeito desse pensamento.

É impossível ter sucesso sem estar comprometido com o que você quer realizar. Mas nada do que quer conquistar fará sentido se para obter essas conquistas você tiver de passar por cima de seus valores.

Uma das passagens que mais gostei do livro, foi quando Carneiro discorre sobre a sua mãe, sobre como uma vez ele estava comemorando em uma viagem com sua equipe e sua mãe tentava falar com ele por telefone e ele não atendia, e só a noite naquele dia ele atendeu e descobriu que sua mãe teve um AVC e está na UTI entre a vida e a morte e, então ele abandonou tudo e foi para o hospital e a partir daquele momento percebeu o quanto precisava ficar com os pés no chão e não deixar o sucesso subir a cabeça, pois o maior ativos de nossa vida são as pessoas que amamos.

[…] Ela sempre mostra que os imprevistos não são o problema – o problema é não saber lidar com eles.

Essa é uma das maiores verdades que já ouvi na vida, pois acredito fortemente nós laços que construirmos durante a vida e que alguns são sem duvida alguma, mas importante do que qualquer coisa nesse mundo.

[…] Porque ela sempre me mostrou que a única coisa que devemos ter quando não temos mais nada é a esperança. Quando você tem esperança, ainda tem tudo.

Bom o livro é excelente, recomendo muito a leitura e ENFODERE-SE.

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Dia nacional do livro

Lembro da primeira vez que tive contato com um livro que realmente me fez gostar da leitura, que me fez ler sem parar, lia andando no caminho para o trabalho, lia em pé no ônibus, no trem, na rua, eu mergulhei naquela história e só queria saber o quê aconteceria logo em seguida, uma página depois da outra e, eu tinha uns quinze ou dezesseis anos.

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Uma grande amiga me emprestou O reverso da medalha de Sidney Sheldon, lembro que já tinha lido um ou outro livro antes disso, daqueles que os professores te obrigam a ler na escola e, você provavelmente acha um porre, nenhum que realmente te interessava. Nunca tive incentivo na infância para ler livros, nunca ganhei um livro de presente quando criança, não quero culpar ninguém por isso, mas não cometo o mesmo erro que aconteceu comigo.

Você não precisa queimar livros para destruir uma cultura, basta as pessoas pararem de lê-los.

– Ray Bradbury

Sempre que posso presenteio alguém com um livro e, não preciso de datas comemorativas para isso, incentivar a leitura é muito importante, dou livros para os meus sobrinhos também, eles vão crescer com esse habito e quando se tornarem adultos ler não vai ser uma obrigação, algo chato como ouço muitas pessoas dizerem, será natural, pessoas que lêem aprendem mais, tem raciocínio e criatividade mais amplo, sei disso pois comigo foi assim também, com a leitura aprendi muitas coisas, posso até dizer que me tornei alguém melhor.

Ler é tão importante, faz você enxergar o mundão de uma forma diferente, interpretar à vida como ela realmente é, de perspectivas diferentes, por autores diferentes e fora que você viaja entre mundos, aumenta seu repertório.

Eu sempre tive o habito de escrever, desde muito novo e hoje vejo como evolui nisso, ouço pessoas dizerem:

– Parabéns, você escreve muito bem.

Mas não foi sempre assim e, ainda estou longe de ser o escritor que quero ser, estou aprendendo muito mesmo, consigo enxergar isso, e do ano passado para cá escrevi três contos e os publiquei na amazon, deixo eles aqui para vocês caso tenham interesse de ler:

Estou trabalhando atualmente no quarto conto, que se chama O caminho do rei e é o primeiro que escrevo no formato de Fantasia, sempre tive vontade de escrever uma fantasia e está sendo muito desafiador e diferente, estou lendo muitos livros de fantasia para aprender a estruturar a história, a narrativa, o mundo, mas enfim isso que quero mostrar a vocês: Leiam muito e, incentivem outras pessoas à lerem também.

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Alguns dos livros que tive o privilégio de ler em 2017.

Esse ano já li 24 livros e contos, entre livros físicos e digitais foram cerca de 4.444 páginas segundo meu skoob e estou muito feliz com esse número, pois estou voltando a ler depois de um hiato muito grande, para ter uma ideia eu no ano de 2016 li apenas 7 livros e esse ano nem terminou ainda e já foram 24, então até o final do ano provavelmente esses números vão aumentar.

Bom, então é isso… um feliz dia nacional do livro e agora gostaria de saber de vocês, qual o livro preferido de vocês ? quantos livros já leu esse ano ? tem algum para me recomendar ?

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1922 – Crítica

2017 é realmente o ano do Stephen King. Depois do excelente Jogo perigoso (The gerald’s Game) , temos mais uma adaptação de uma obra do autor, 1922. A história usa como premissa para o roteiro o conto homônimo extraído do livro escuridão total sem estrelas.

A história acompanha Wilfred James (Thomas Jane), um fazendeiro tradicional e clássico de 1922, casado com Arlette (Molly Parker), e pai do jovem Henry (Dylan Schmid). Tudo na família fluía na normalidade até que Arlette decide que é hora de mudar, vender a propriedade que herdou do seu pai e ir viver uma nova realidade na cidade, e essa decisão é o combustível para o filme.

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(Foto: reprodução)

1922 está longe de ser um filme de terror tradicional regado a assassinatos, vingança ou um espírito simplesmente em busca de justiça, é acima de tudo um ensaio sensível sobre as consequências de cada escolha que fazemos na vida.

O roteiro é bem simples, construído em cima de um esquema de três atos. O grande trunfo da narrativa está na sagacidade de entregar diálogos interessantes e soluções criativas para construções de cena já vistas em outros filmes.

A narrativa é corrida no início do filme, as motivações para o assassinato são apresentadas em tomadas isoladas passando a ideia de que o relacionamento era perfeito e os problemas só surgiram naquele momento, o que é desconstruído depois deixando as informações contraditórias.

Assim como em Jogo perigoso temos de premissa principal a maneira como nós, seres humanos reagimos as circunstâncias que estão diante de nós, e principalmente como a construção social influencia diretamente nossas atitudes.

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(Foto: reprodução)

 

O roteiro oferece momentos narrativos expositivos, mostrando o imaginário de Willfred demonstrando que suas ações e reações estão diretamente ligadas a conceitos pré-estabelecidos da época, como o fato de um bom esposo e pai de família só exerce seu ofício com maestria se dispor de uma boa herança para o filho, ou ainda como o valor de um homem está diretamente ligado à sua terra, ou seja, você é aquilo que você tem e seu significado está ligado diretamente a isso.

Se a narração soluciona alguns buracos no roteiro inicialmente, a medida que o filme evoluí o espectador fica com a sensação de que o recurso está ficando maçante, e principalmente, frágil por não ter um incentivo visual interessante.

É interessante como os ratos são utilizados na construção visual do filme, desde o primeiro momentos a presença deles causa mais repulsa e medo do que o fantasma em si, e a presença deles torna-se uma extensão das ações e uma lembrança constante dos atos de Willfred.

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(Foto: reprodução)

 

Willfred evolui com a narrativa, e cada uma de suas ações posteriores a morte da mulher funcionam como uma fracassada jornada do herói invertida. Ele busca nas próprias palavras e reflexões a justificativa para seus erros, tudo para solucionar a questão levantada logo no primeiro ato: “Não teria outra opção?”.

Se o roteiro é sagaz nos diálogos, os atores não desperdiçam a oportunidade e entregam atuações incrível, com destaque para Thomas Jane (O Apanhador de Sonhos (2003) e O Nevoeiro (2007)), ele oferece um personagem complexo, e muito bem pesquisado. A belíssima atuação vai desde o tom de voz do personagem e o sotaque, até a maneira como o ator desenvolveu um maniqueísmo com as mãos.

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(Foto: reprodução)

 

O diretor Zak Hilditch (As Horas Finais), que também escreveu o roteiro, demostra sagacidade em direcionar os atores nas atuações, entretanto, parece perdido na maneira como a câmera deve captar determinados momentos do filme, muitas vezes temos planos que poderiam ser mais eficientes na construção da cena se fossem melhor enquadrados.

1922 é um bom filme, e uma experiência para quem busca uma boa reflexão sobre o poder de cada ação que tomamos no decorrer da vida.

Jogo Perigoso, filme – Crítica

Esse é o ano do Stephen King, depois de A torre Negra, It a coisa, temos mais uma adaptação de sua obra, Jogo perigoso ou no original, Gerald’s game.

Adaptar uma obra do mestre do terror é um trabalho difícil, estamos falando de um dos autores mais cultuados e premiados da história, com uma legião de fãs que esperam que cada detalhe da narrativa original seja mantida. Em jogo perigoso podemos dizer que eles estarão felizes, pois a essência de trilher psicológico é preservada.

Uma das maiores dificuldades em adaptar uma obra do Stephen King para o cinema e a complexidade das histórias, Jogo perigoso está a um patamar acima nesse desafio. A obra é cheia de belas alegorias e críticas a maneira como a sociedade constrói e corrompe seus relacionamentos, e principalmente, a cultura do silêncio imposta sobre as pessoas. Não fale, não pense, não sinta …. Simplesmente permita.

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(Foto reprodução) 

O monstro dessa vez não é um palhaço, uma bruxa ou qualquer outro, mas nós mesmos, mais precisamente, o terror psicológico que guardamos no mais profundo de nossa mente, os cadáveres mentais que não expomos para ninguém.

Somos frutos do que passamos no decorrer de nossas vidas? No final quando nos depararmos com o escuro, sem a oportunidade de correr e sermos obrigados a encarar quem realmente nos tornamos, descobriremos que somos os nossos maiores traumas? Jogo perigoso não é um filme sobre morte, tortura ou qualquer outro medo pré-concebido que temos, mas um discurso em sua maioria silencioso, sobre quem nos tornamos.

O diretor Mike Flanagan (O Espelho, O Sono da Morte, Hush: A Morte Ouve) demonstra todo o seu domínio sobre a história e os sentimentos que os personagens devem transmitir para o espectador, essa sinergia é desenvolvida em planos próximos em movimentos, carregados de uma energia claustrofóbica e tensa.

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(Foto reprodução)

 

A maneira como a câmera se movimenta nos primeiros momentos do casal no ambiente, diz muito sobre como o diretor pretende desenvolver o filme. O foco não é o meio, e muitas vezes até a situação é esquecida, o ponto da obra se desenvolve na maneira como a personagem lida com a situação, e o simples fato dela não lidar, torna-se um recurso narrativo rico.

Se o roteiro disponibiliza uma ótima construção narrativa e de personagem, a excelente Carla Gugino que interpreta Jessie Burlingame não desperdiça a oportunidade de entregar uma atuação profunda, realista e cheio de trejeitos sutis que dão camadas a personagem.

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(Foto reprodução)

Bruce Greenwood interpreta Gerald, o marido de Jessie. O ator entrega uma atuação a altura da parceira, a energia entre eles é viva. A boa atuação de Bruce é o fio condutor para que várias tramas secundárias sejam bem desenvolvidas.

Jogo perigoso é uma excelente adaptação de uma das obras favoritas dos fãs do mestre do terror. Um roteiro bem alinhado, atuações excelentes e uma direção impecável, sem sombra de dúvida merece um lugar no pódio ao lado de IT, a coisa como uma das melhores adaptações dos livros de Stephen King.

🌟🌟🌟🌟🌟 – Excelente

O Mito: As vezes.

Em uma caverna, a não muito tempo. Fora encontrado uma gravação no interior da rocha que se intitulava de “As vezes” e dizia o seguinte;

As vezes me sinto só
As vezes sinto como se fosse meu único amigo
As vezes me vejo pensando sobre a vida e por que continuo nela
As vezes sinto falta
As vezes sinto saudades
As vezes sinto tristeza
As vezes só vou de lugares a lugares
As vezes não tenho razão alguma para nada
As vezes eu bebo
As vezes fumo
As vezes eu sinto o gosto dela queimando minha garganta
As vezes eu trabalho
As vezes sinto no peito a angustia de estar só
As vezes não tenho mais forças e elas escorrem
As vezes não converso com ninguém por dias
As vezes preciso só de uma companhia
Mas por vezes não a tenho.

Após encontrar essa escritura fizeram um livro com uma história intitulada de “As vezes”, que por muito tempo fora considerada uma obra rara, em que apenas há uma copia em todo o mundo.

Criaram contos, músicas e lendas que eram cantadas, e faladas no fundo de tavernas durante séculos.

Me perdi no que era real

Duas da manhã e a escuridão do quarto era tudo que ela podia ver.

Estava a muito tempo deitada, ali matutando coisas.

Se virava para um lado e para o outro, perdendo para seus pensamentos.

O sono não chegava, o cansaço estava no ápice mas precisava fugir daquela realidade.

Sua mão bateu na mesinha ao lado da cama. Impressionante como sabia que estava ali,
Pois o breu era absoluto, foi tateando o ar até encontrar a luminária e puxou a cordinha para acender.

A luz fraca fez seus olhos arderem por um segundo, mas logo se acostumou com o brilho e pegou um livro que estava sobe a cabeceira.

Algumas pessoas achavam uma nova realidade em amores não correspondidos, em álcool ou drogas, ela só queria montar em dragões e viver as fantasias daquele mundo fantástico que surgia quando voltava a página marcada.